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CONCURSO CULTURAL
28.11.2017
Luciana Palma (Sorocada - SP)
O melhor da vida
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Meu nome é Luciana e acredito que o grande desafio da vida seja a conquista da paz interior. Explico o porquê. Com vinte anos, fiz o teste psicológico das manchas (Rorschach) e fui diagnosticada com um transtorno psiquiátrico gravíssimo cujos sintomas eu já conhecia: automutilação, agressividade, abuso de drogas, tentativas de suicídio, apego excessivo e troca frequente de parceiros. Não tinha perspectiva de vida, parei de trabalhar e meus dias eram sempre cinzentos. Não tinha apoio e quase nunca saía ou encontrava alguém para evitar as tais crises de agressividade ou o excesso de apego. Ficava horas na frente da TV, dormia ou fazia coquetéis de álcool com os remédios que os médicos me prescreviam. Passei por muitos psiquiatras que só queriam saber dos “meus sintomas”.

Aos trinta e cinco anos, depois de duas tentativas de suicídio com comprimidos, tentei ficar em um hospital psiquiátrico. Fui presa em um pavilhão, não havia a perspectiva de nenhum médico me atender em menos de cinco dias e chorei as vinte e quatro horas que se passaram até os funcionários chamarem meus pais para me liberarem. Decidi procurar uma neurologista famosa na cidade onde eu morava e, logo na primeira consulta, me surpreendi: ela não me pediu uma tomografia. Sentada diante de mim, conversou sobre as minhas experiências e sobre como eu me sentia a respeito de tudo o que havia me ocorrido. Era sorridente, se mostrava extremamente positiva em relação a tudo o que eu dizia e foi a única pessoa que conseguiu me convencer - em meia hora - que não valia a pena continuar tentando morrer.

Ela me deu expectativa, vontade de tentar um tratamento novo. Acarinhou-me com suas doces palavras e senti-me literalmente confortada. Uma sensação de tranquilidade tomou conta de mim e voltei a pensar na vida como uma possibilidade. Tudo isso em sessenta minutos! Quando fui embora, não entendia como uma médica podia ser tão humana com uma paciente rebelde e difícil como eu. A Daniela era simplesmente a doçura em pessoa e não tinha nada da frieza comum em médicos que atendem planos de saúde. Essa descoberta foi o empurrão que eu estava precisando para querer me sentir melhor. Fui para casa, deixei os remédios todos com meus pais e cada dia ia buscar minha "dose diária". Tomava-os à noite, todos juntos. Fui ficando mais serena e, passado um mês, sentia-me outra pessoa.

 

 

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Todos notaram que eu conseguia conversar sem brigar, eu já não pensava em me matar e um sentimento de tranquilidade me invadiu. Continuei o tratamento e eu sempre melhorava mais um pouco. Hoje estou com quarenta anos e nem vivo mais na cidade onde a Dani clinica. Sou senhora dos meus remédios. Compro várias caixas de uma vez e nunca mais pensei em fazer algo além de separar os comprimidos da noite na caixinha. Mas vou a Rio Claro a cada dois meses vê-la.

Ao longo desses vinte anos, descobri que a vida é um grande desafio, um jogo complicadíssimo - às vezes muito mais complexo do que pensamos poder resolver. A satisfação de vencer esse desafio é difícil de descrever de tão prazerosa. O melhor que a vida tem a oferecer e que temos a conquistar é a paz interior. Serenidade para conseguir ver o azul em um dia cinza, ter a mente quieta e estabilizada diante de problemas que parecem insolúveis e controle sobre os pensamentos nocivos. Dinheiro, status e poder – bens tão prezados na sociedade atual - não são nada em uma vida vazia de significado. Não têm sentido nenhum se nos ocorre o tempo todo o pensamento de não querer viver mais. Estou amando essa aventura que é tentar ser uma pessoa melhor a cada dia. Viva!

 

 

Este texto foi o vencedor da ação Vida Mais Zen Concurso Cultural - Tema “O Melhor da Vida", realizada entre os meses de março/2017 e setembro/2017

 

 

Otimismo e força de superação com os Titãs:

ENQUANTO HOUVER SOL

(Sérgio Britto)

 

Quando não houver saída

Quando não houver mais solução

Ainda há de haver saída

Nenhuma ideia vale uma vida

Quando não houver esperança

Quando não restar nem ilusão

Ainda há de haver esperança

Em cada um de nós

Algo de uma criança

 

Enquanto houver sol

Enquanto houver sol

Ainda haverá

Enquanto houver sol

Enquanto houver sol

 

Quando não houver caminho

Mesmo sem amor, sem direção

A sós ninguém está sozinho

É caminhando que se faz o caminho

Quando não houver desejo

Quando não restar nem mesmo dor

Ainda há de haver desejo

Em cada um de nós

Aonde Deus colocou

 

Enquanto houver sol

Ainda haverá

Enquanto houver sol

Enquanto houver sol


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