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29.05.2018
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O Caminho do Chá e o Zen
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O espírito zen influenciou e definiu diversos Caminhos no Japão, dentre eles o Caminho do Chá, ou chadō.  Aquele que atinge a maturidade através desse Caminho, e que pela mais severa disciplina alcança o objetivo da perfeição do seu ofício, vivencia na pequena sala de chá a verdadeira liberdade; a liberdade maior que transcende todos os caprichos pessoais, a liberdade de quem se liberta das amarras do Eu enraizadas na existência do ego.

Se hoje, no Japão, o Caminho do Chá ainda ocupa um lugar de destaque, é porque o homem moderno vive em busca de seu "centro". Ele tem saudade do "silêncio". E o Caminho do Chá pode indicar uma trilha que conduz à essa autodescoberta, permitindo a libertação da tirania das coisas, onde ele pode ser absorvido por esse afazer em que se exclui qualquer pensamento ou medo das circunstâncias externas e irrelevantes. Uma experiência transformadora de compreender que "o Um está no Todo e Todo está no Um": a experiência última desse Caminho.

 

O CHÁ EM SUA EXPRESSÃO JAPONESA

 

­O país de origem do chá foi a China, que era usado inicialmente como medicamento e, mais tarde, como bebida. O chá chegou ao Japão através dos monges budistas e levou alguns séculos para alcança sua popularidade entre seu povo. O primeiro real criador do Caminho do Chá foi Mokichi Shukō (1423-1502), que tornou-se discípulo do Mestre zen Ikkyū Sōjun (1394-1481), e este viu na prática do chá de Shukō pontos essenciais que estavam em comum com os ensinamentos budistas.

Numa carta a um aluno, Skukō cita algumas regras para a prática do chadō: "A conduta deve ser natural, sem chamar a atenção. As flores devem continuar com a sala de um modo fácil e agradável. O incenso não deve ser queimado de modo muito rígido. Os utensílios do chá devem refletir a maturidade ou juventude dos convidados. Os adornos da sala do chá devem ser escolhidos de modo a tranquilizar o coração do anfitrião e de seus hóspedes, de modo nenhum desviar seus pensamentos. Isso é de primordial importância. devem penetrar no mais íntimo do coração sem nenhuma interferência exterior."

 

 

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O ZEN E A CERIMÔNIA DO CHÁ

 

Mexer o chá é uma prática zen no seu mais verdadeiro sentido e, ao mesmo tempo, uma prática espiritual que conduz à compreensão clara de nosso próprio ser. A essência do Caminho do Chá está na contemplação e não no enfoque de detalhes externos; está no manuseio espontâneo e correto dos objetos com uma atitude "religiosa", que surge do coração, e que pode atingir a natureza búdica no nosso interior. Por exemplo, mesmo em se tratando de apenas segurar a colher do chá, que o homem entregue seu coração sem reservas a essa colher e que não pense em mais nada. Esta é a maneira correta de proceder, do começo ao fim, diante de qualquer objeto: com uma devoção profunda.

O ponto de partida da cerimônia do chá, chanoyu, está no espírito de uma união harmoniosa entre o céu e a terra; tornando-se, assim, um veículo de paz, um meio de preservar a ordem no mundo. É um atuar simples, sincero e correto em que vivencie os cinco elementos no interior de seu próprio Eu - que retire o ânimo da fonte que brota do céu e da terra e sinta na boca o gosto do vento. Aqui também se encontra a vivência da unidade cósmica, base dos ensinamentos budistas Mahayana. A ligação da cerimônia do chá com os ensinamentos zen fica evidente também nos quatro conceitos wa-kei-sei-jaku, que se referem à reverência, à harmonia, à pureza e à serenidade.

 

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Wa, "harmonia", é o harmonioso relacionamento com todas as coisas, que se revela na atuação própria de um homem, na sua relação com todo o seu meio ambiente e no seu ajustamento a ele. Kei, "reverência" ou profundo respeito, abrange a deferência, o respeito para com os outros homens e, ao mesmo tempo, o autocontrole diante do próprio Eu, ou seja, inclui a valorização de todos os seres vivos. Quando um homem se entrega a esses conceitos no sentido zen, já não dispõe de espaço para qualquer outra coisa, apenas se dedicar ao que está diante de si, onde seu coração torna-se completamente "bondoso e suave" (nagoyaka).

Sei, "pureza", é a nitidez externa e interna, portanto, a limpeza no sentido moral-ético-religioso. É a limpeza enraizada no que é natural, simples e modesto. Ela aparece tanto nas peças de chá, por exemplo, como nas pessoas que as manuseiam. Significa estar pronto para a experiência última, a que o coração deve de entregar ouro, livre de toda paixão.

Jaku, "serenidade", é o último conceito e de mais difícil apreensão. É uma serenidade particular, ligada à paz do coração, à solidão - uma serenidade que o homem vivencia e que, ao mesmo tempo, reside em seu interior. Mas também este conceito refere-se ao repúdio de tudo que é barulhento e insistente, de tudo que ofende aos olhos. O tom fundamental desse conceito, por sua vez, é determinado pelo Caminho do Zen, pois está intimamente ligado ao satori, à iluminação.

 

 

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O CONCEITO WABI

 

O ideograma wabi é usado no Caminho do Chá com reverência muito especial e indica o cumprimento dos mandamentos do Buda. Quando o homem conhece o wabi, a ganância transforma-se em caridade, a infração das proibições em severa observância, a falta de domínio em tolerância,  a negligência em sério esforço, a rebeldia em contemplação interna e a tolice em sabedoria. Essas são as seis haramitsu, palavra que significa "alcançar aquela margem", trilhar o caminho da iluminação.

Wabi revela um mundo búdico de imaculada pureza. É o que levamos em nosso corações, sem exibi-lo externamente, enquanto não estiver em completo acordo com o coração. Wabi é "a alegria de um pequeno monge, cujas roupas flutuam ao vento". É uma pobreza consciente que, quando percebida, já não é mais pobreza. Wabi é o bastar-se-a-si-mesmo que os monges e poetas zen vivenciam, ao partirem em suas longas peregrinações, em busca das experiências derradeiras  - viver o "silêncio", o grande "vazio". No chadō, o essencial é apenas a prática, o exercício religioso do coração. É esse o único meio de o homem poder, finalmente, alcançar a iluminação de modo espontâneo, quando menos espera.

 

 

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Fonte: O Zen na Arte da Cerimônia do Chá, Horst Hammitzsch, Pensamento

 

 

 


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