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ESPIRITUALIDADE
04.09.2018
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Karma e evolução pessoal
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Se aceitarmos o princípio de causa e efeito na Natureza, e de ação e reação na física, não será lógico deduzir que essa lei natural se estende igualmente aos seres humanos? Eis a lei do karma: aquilo que você semear, colherá. Se semear o mal, colherá o mal sob a forma de sofrimento. E se semear o bem, colherá o bem sob a forma de alegria interior.

Para entender o karma, você deve considerar que os pensamentos são coisas. O próprio universo, no final das contas, é composto por consciência e não por matéria. Esta responde, embora a maioria das pessoas não o perceba, ao poder do pensamento. A força de vontade direciona a energia e a energia, por seu turno, afeta a matéria. Na verdade, matéria é energia. Toda ação, todo pensamento colhe sua própria recompensa correspondente. O sofrimento humano não é um sinal da cólera de Deus ou da Natureza contra a humanidade. É, antes, a marca da ignorância da lei divina por parte dos homens. Essa lei nunca falha em sua aplicação.

 

 

 

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As almas comuns reencarnam compelidas por seus desejos mundanos; as almas superiores, ao contrário, apenas em parte vêm à Terra para cumprir o karma, pois seu principal objetivo é atuar como filhos nobres de Deus e apontar às criaturas perdidas o caminho para a morada celeste do Pai.

O Pai Celestial jamais enviaria seus filhos para o suplício eterno, em paga dos erros cometidos durante sua breve passagem pela Terra. Quando usamos mal a liberdade que Ele nos concedeu, temos de arcar com as consequências materiais de nossas próprias ações equivocadas. Recompensamo-nos ou punimo-nos por nosso karma positivo ou nossos atos iníquos.

As pessoas que agem mal fomentam tendências perniciosas, que ficam no cérebro à espera de provocar agudos sofrimentos no devido tempo. Essas tendências ocultas, causadoras de angústias – ou “infernos” – são levadas para o mundo astral, após a morte, pela alma dotada de um mau karma. As almas, no estado de pós-morte, não têm sensações físicas e não poderiam, por isso, ser queimadas pelo fogo material. Entretanto, as almas com um mau karma sofrem agonias mentais piores que queimaduras.

A palavra inglesa hell (inferno) vem da raiz anglo-saxônica helan, que significa “esconder”. O termo grego é hélios, “sol” ou “fogo”. Portanto, a expressão “fogo do inferno” é bastante apropriada para descrever as chamas escondidas da agonia que as tendências armazenadas podem produzir na vida terrena ou no mundo astral. O assassino queima por causa de sua consciência pesada, quando acordado, e por causa do terror subconsciente, quando dormindo, e sofre males sem conta no estado onírico da morte.

As almas foram “feitas” à imagem e semelhança de Deus. Nem o pecador mais empedernido pode ser condenado para sempre. Causas finitas não geram efeitos infinitos. Por uso inadequado de seu livre-arbítrio, o homem talvez se julgue mau; mas, no íntimo, é uma criatura de Deus. A alma perfeita, sempre livre de pecado, acaba por despertar em Deus quando recorda sua natureza real, eternamente virtuosa.

Só com honestidade e esforço incansável você varrerá de sua vida a influência da ilusão satânica. Lembre-se: foi você quem acolheu essa influência graças a seus próprios pensamentos e atos. Doravante, siga a orientação da sabedoria divina que reside em seu íntimo. Tudo o que fizemos no passado, podemos desfazer. Precisamos apenas da correta determinação, nascida de nossa liberdade cada vez mais ampla.

Um pai bondoso nunca deixaria queimar eternamente uma alma feita à sua própria imagem. A ideia do castigo perpétuo é ilógica. A alma sempre terá sido feita à imagem de Deus. Nem mesmo milhões de anos de pecado mudarão a essência de seu caráter divino. O rancor impiedoso dos homens contra as más ações de seus irmãos é que engendrou a concepção absurda do fogo eterno.

O homem pode usar equivocadamente seu livre-arbítrio por algum tempo, considerando-se mortal, mas essa ilusão passageira nunca conseguirá apagar em seu íntimo a marca da imortalidade e a imagem divina da perfeição. Se uma alma imortal não conseguiu, ao longo de uma existência, eliminar as ilusões que a subjugam, precisa de mais períodos de aprendizado para tomar conhecimento de sua imortalidade inata. Só então poderá retornar ao estado de consciência cósmica.

 

 

 

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A alternância dos dias e das noites neste planeta que gira perpetuamente e a alternância das dores e das alegrias na vida das pessoas são como um tabuleiro de xadrez de múltiplas dimensões. As regras do jogo foram instituídas pelo karma, a lei de causa e efeito. O karma reúne os amigos perdidos na noite escura da morte. O karma reenvia as almas ao mundo astral, uma vez expirado seu prazo na Terra. Assim como as peças capturadas do xadrez são removidas e postas numa caixa, assim o Destino, ao retirar pessoas do “tabuleiro” da vida, coloca-as num “armário” secreto, ou local de repouso, no outro mundo.

Observe os altos e baixos da vida com mente serena. A vida exterior não passa de um jogo. Considere suas vitórias e derrotas com isenção de ânimo, como se estivesse assistindo a um filme. Depois de apreciar um belo drama, ou até um drama trágico, você não se contém: “Que ótima história! Aprendi muito com ela”. De igual modo, mesmo depois de amargar acontecimentos trágicos em sua vida, diga a si próprio: “Sou grato a essa experiência, que me ensinou muita coisa!”.

As pessoas gostam de jogos como o xadrez, aceitando com maior ou menor resignação vitórias e derrotas. No mesmo espírito, gostemos da vida, quer ela nos dê sucessos ou fracassos. Vivamos com serenidade, com senso de gratidão. Assim, festejemos o reencontro com os amigos verdadeiros – depois de sabe-se lá quantas reencarnações! E aceitemos com tranquila confiança nossa próxima partida após a morte.

Sim, a vida é um jogo. Interesse-se por ele, mas permaneça sempre um pouco distanciado. Que nada o afete interiormente. Aconteça o que acontecer, saiba que nada é de fato real. Não faça como aquela pessoa que, exultando após uma vitória no xadrez, morreu de enfarte! Mesmo em pleno sofrimento, mesmo durante a inexorável descida de seu corpo para a velhice, mantenha uma atitude jovial. As casas pretas do tabuleiro de xadrez se alternam com as brancas. Assim também, as sombras de sua vida se alternam com a luz, as tristezas com a alegria, o fracasso com o sucesso. Mudança e contraste são inevitáveis, tornando possível o grande jogo. Encare-o desapaixonadamente e não permita que definam quem você é por dentro.

 

 

 

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A alma do homem não está predestinada nem ao bem nem ao mal. Embora vício e virtude pareçam inatos, toda tendência humana é autoadquirida nesta ou em vidas anteriores. Resulta da escolha individual.

Hoje, com a psicanálise despertando fascínio em toda parte, as pessoas são condicionadas a atribuir seus problemas ao modo como os outros as tratam – crueldade ou indiferença dos pais, professores, sociedade, qualquer coisa enfim que as impeça de assumir corajosamente a necessidade de aperfeiçoar-se. É mero subterfúgio da parte do ego declarar-se incapaz de vencer as dificuldades. As verdadeiras raízes de nossos problemas somem de vista em nosso subconsciente. Nós mesmos as plantamos na origem, por causa das más ações cometidas no passado.

Qualquer circunstância da vida, qualquer característica e qualquer hábito (por mais que o repudiemos), nós mesmos os criamos, recentemente ou no passado distante. Devem-se ao mau uso do livre-arbítrio com que Deus nos dotou. Ele nos deu liberdade para voltar ao Seu seio, caso o queiramos, ou para deixar nossa vida à mercê dos gozos fúteis dos sentidos. Dele, fonte única da vida, emanam a força e a bondade. Se nossa energia vital escorre continuamente, alienando-se da Fonte Divina interior, acaba se embebendo num deserto. Nas areias secas da consciência material, seu fluxo penetra e desaparece.

Não acuse ninguém pelos males que o afligem. Aceite a responsabilidade por sua própria vida e pelas desventuras que acaso venha a encontrar. Procure fazer o melhor, resolutamente, e elimine as tendências perniciosas de sua própria natureza.

As pessoas raramente investigam as causas ocultas daquilo que acontece em suas vidas. Não conseguem entender por que sofrem. O sofrimento estende uma grossa cortina sobre suas mentes, ocultando a origem dos males. Só por intermédio de uma comunhão íntima e profunda com estados superiores de consciência torna-se claro que todas as deficiências, mentais ou físicas, são consequências necessárias do mau comportamento da pessoa no passado. O sábio tem lucidez interior para determinar a causa exata de cada vicissitude. Pode, pois, prescrever ações que removerão essa causa, de influência deletéria na vida da pessoa.

Quem nasceu com desvantagem em alguma área deve resistir à tentação da autopiedade. Lamentar-se é diluir a força interior de superação. Melhor seria que dissesse: “Obstáculos não existem. Existem oportunidades”. Busque Deus no silêncio interior. Reconcilie-se com a realidade e com o que precisa ser feito. Você pode remodelar seu karma desde que, doravante, passe a viver pela consciência da alma. Repudie os ditames do ego: eles são o fruto perene da ilusão.

Quanto mais perto você chegar de Deus, mais seguramente O conhecerá como o próprio Amor Divino: Aquele que está mais próximo, Aquele que é mais Caro.

 

 

 

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Muitos seres humanos não aceitam ser governados de dentro, pela sabedoria superior. Bem ao contrário, vivem sob a tirania de hábitos pertinazes, que adquiriram em vidas anteriores. Em geral, as criaturas humanas são escravas de seu condicionamento, que pode parecer uma causa externa, mas de fato tem origem dentro delas mesmas. São controladas pelos hábitos adquiridos. Estes, embora se devam inicialmente à pessoa, uma vez formados se perpetuam por si mesmos.

Poucas pessoas têm ideia da maneira insidiosa com que os hábitos gerados por suas ações passadas influenciam seu comportamento atual, suas atitudes mentais, os amigos e o ambiente que atraem, e o que equivocadamente chamam de “sorte”, boa ou má. Não conseguem ver esses hábitos brotando do fundo da mente subconsciente nem até que ponto eles afetam, de modo imperceptível, suas posturas e atos no momento atual. Certas pessoas – ocidentais, sobretudo – acham que têm livre-arbítrio. Outras – na maioria orientais – imaginam, também erroneamente, que não existe saída alguma, que tudo é kismet, “destino”.

Mas há uma saída! Basta renunciar à falsa noção de que exercitamos nossa liberdade soltando as rédeas dos desejos do ego. Quanto mais seguirmos a orientação interior, mais controle obteremos sobre os acontecimentos externos no grande jogo da vida. Pois, se vivermos em nosso próprio centro, na supraconsciência, gozaremos a única liberdade verdadeira que existe. Na consciência da alma, não mais ficamos indefesos diante dos hábitos e desejos. Portanto, na medida em que desenvolvermos a autoconsciência, nós nos libertaremos da sujeição kármica.

Em vez de aceitar fatalisticamente os decretos do karma, siga o caminho interior para a liberdade. Medite todos os dias. Comungue intensamente com Deus. Aprenda com Ele, por meio da voz silenciosa da intuição, o modo de escapar da escravidão dos hábitos, que degradam a alma.

 

 

 

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Os decretos inalteráveis do karma governam o destino humano apenas enquanto o homem continua a viver pelos sentidos, reagindo aos acontecimentos externos. Aos olhos de uma pessoa assim, o raciocínio moral se situa na consciência do ego. O saber oriundo das escrituras situa-se na consciência do ego. As lágrimas de autopiedade situam-se na consciência do ego. A consciência do ego é que é o problema. Quanto maior o seu domínio da mente, maior a influência do karma na nossa vida.

A Lei Cósmica não é um déspota irracional, porém. Suas sentenças não são proferidas ao acaso, contra uma humanidade acovardada e indefesa. Toda consequência prescrita pela Lei Divina é certa e justa; brota de realidades profundas da própria natureza humana e contempla ações já cometidas. Afinal, não é razoável colher o fruto daquilo que se planta?

Depois que o ego é transcendido na consciência da alma, transcendida é também a esfera da lei kármica. A alma permanece para sempre imperturbada, pois as consequências kármicas só se acumulam em detrimento do ego. Dissipam-se quando já não há um vórtice centrípeto atraindo-as para a consciência do “eu” e do “meu”. Ao tomar consciência de si mesma, a alma se liberta ao menos da sujeição à lei kármica. As boas ações dos grandes santos se projetam como ondas de luz para abençoar a humanidade inteira.

 

 

Fonte: Karma e Reencarnação - A sabedoria de Yogananda, Paramhansa Yogananda, Pensamento

 

 

Medite ao som da canção de Yogananda:

 

 

WHEN I AWAKE

(Paramahansa Yogananda)

 

When I awake I'll see Thy face

When I awake I will see Thy light

Mother awake me from my dreams

Mother awake me in Thy light

Hand in hand we are dancing together

Dancing together in Thy light

 

 

QUANDO EU DESPERTAR

 

Quando eu despertar, vou ver o Teu rosto

Quando eu despertar, verei Tua luz

Mãe, me acorda dos meus sonhos

Mãe, me desperta em Tua luz

De mãos dadas estamos dançando juntos

Dançando juntos em Tua luz

 


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