CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar
ZEN
15.01.2019
CompraZen
Shodo, a escrita zen
COMPARTILHAR

 

Shodo é a arte japonesa da escrita que traz em si toda a concepção filosófica do budismo. Quem observa um calígrafo de shodô em ação logo compreende que esse tipo de arte exige muito mais que os materiais certos, como pincel, papel e tinta específicos. Estudo, concentração, disciplina e interiorização também são elementos fundamentais na prática. Isso porque o shodô não se resume à técnica ou ao treino; ele possui uma ligação histórica com a tradição zen budista.

Originado na China, o shodo foi introduzido no Japão com a chegada do budismo ao país, no início do século VIII. “As escrituras compiladas pelos monges budistas eram feitas em caracteres chineses que, naquela época, já incitavam uma espécie de fascínio naqueles que as observava”, conta Nampo Kurachi, professor da Aliança Cultural Brasil-Japão, em São Paulo, e um dos pioneiros do shodo no Brasil. Ele explica que, por ter se desenvolvido aliado à filosofia zen-budista, o shodo (sho = escrita; do = caminho) leva as pessoas à busca da evolução do conhecimento e do espírito, à interação entre corpo e mente. “A filosofia budista é representada através do vigor das pinceladas, dos movimentos dos traços e das pausas”, afirma.

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-imagem.jpg

 

 

FILOSOFIA ZEN

 

Para muitos estudiosos, o shodô representa um dos caminhos que conduzem ao zen. Geralmente, a prática se inicia antes mesmo de o pincel tocar a folha de papel: ao observar a tinta e sua movimentação no recipiente em que ela é preparada, misturando-se com a água, já se inicia um processo de interiorização.

Yukiko Takaishi, empresária nascida no Japão e cidadã brasileira há mais de 40 anos, estudou o shodo durante toda a infância e, até hoje, guarda seus ensinamentos. “Antes de começar a desenhar os traços, é preciso fechar os olhos, respirar profundamente e concentrar todos os pensamentos na altura do umbigo. Dessa forma, estabelecemos uma ligação com nossas origens mais profundas, pois essa região do corpo representa a origem da vida, o cordão umbilical, o começo de tudo”, diz ela.

Para conseguir fazer ideogramas perfeitos, não se pode parar um traço na metade – daí a necessidade de estar absolutamente concentrado. “Você deve aplicar no pincel toda a intensidade da palavra que está sendo escrita. Afinal, você não está simplesmente desenhando, mas sim expressando diferentes aspectos da filosofia zen budista em um ideograma repleto de significados”, orienta Yukiko.

Antes das primeiras pinceladas, alguns calígrafos procuram visualizar o papel em sua extensão para, depois, fluir em um único movimento com os olhos fechados. No Japão, essa técnica recebeu o nome de shinryu (espírito fluído), uma forma de alcançar o vazio existente entre a matéria e o espírito.

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-ideograma-1.jpg

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-ideograma-2.jpg

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-ideograma-3.jpg

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-ideograma-4.jpg

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-ideograma-5.jpg

 

 

DISCIPLINA E TALENTO

 

No shodo, cada ideograma tem um número exato de traços e uma ordem certa para serem desenhados. “Sem essa disciplina, você não consegue desenhar exatamente o ideograma. Qualquer alteração nesse sentido pode levá-lo a um ideograma com significado completamente diferente”, explica Yukiko.

Com o tempo, cada calígrafo vai criando um estilo próprio, o que gera algumas diferenças entre uma caligrafia e outra. Por isso mesmo, também é preciso seguir as regras de proporcionalidade dos ideogramas, que determinam exatamente como devem ser feitos os traços do pincel. “O calígrafo consegue expressar nos traços um sentimentos muito particular. Por isso, como uma obra de arte, cada shodô é diferente e único, mesmo que seja escrito o mesmo ideograma”, completa Nampo.

A tonalidade da tinta, a pressão do pincel sobre o papel, a velocidade da escrita e os espaços entre cada pincelada variam de calígrafo para calígrafo. Mas a qualidade da obra é avaliada pelo equilíbrio natural dos caracteres, sua composição como um todo, a variação entre os traços grosso e fino, a quantidade de tinta no papel e o ritmo com que foi escrito.

Juntando-se os significados que o próprio ideograma desenhado representa, com a sua beleza estética, têm-se uma arte completa. Tanto assim, que muitos calígrafos são criadores de verdadeiras obras de arte, que chegam a ser expostas até mesmo em museus. “Mas para os japoneses, essa forma de expressão não é só uma arte, também demonstra uma grande densidade espiritual”, lembra Nampo.

 

 

shodo-a-escrita-zen-budismo-japao-meditacao-arte-disciplina-concentracao-nosso-blog-texto.jpg

 

 

Fonte: Encarte de Meditação em Áudio, Selo Tríada

 

 

A força, o silêncio, a forma, o vazio...

 

 


Voltar

ÚLTIMOS POSTS

24.11.2020
A Canção (Gita) do Senhor Supremo (Bhagavan) é a expressão eloquente do bem que Deus nos ...
Leia mais
10.11.2020
Quem é capaz de nunca se deixar levar por sentimentos negativos como irritação, estresse e ...
Leia mais
27.10.2020
O ser humano comum, inconsciente, não tem nenhuma individualidade; ele tem apenas uma personalidade. ...
Leia mais
RECEBA NOSSA NEWSLETTER
CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar

CompraZen, seu companheiro de jornada

Formas de pagamento

Formas de pagamento

Redes sociais

Facebook Instagram Youtube

Atendimento

(11) 96706-4719

Buda
2017 - Todos os direitos reservados - Compra Zen www.comprazen.com.br - CNPJ 14.088.607/0001-80
Rua Francisco Vaz Coelho, 847 - Vila Lavínia - Mogi das Cruzes - SP - 08735-440 - Brasil
Preços, condições e promoções exclusivos para o site, podendo sofrer alterações sem prévia notificação.