CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar
FILOSOFIA ORIENTAL
22.10.2019
CompraZen
Os grandes mestres do Vedanta
COMPARTILHAR

As raízes de todos os sistemas ortodoxos hindus se sustentaram nos Vedas. Os Vedas nasceram há milhares de anos, e com o decorrer do tempo alguns autores, estudiosos e filósofos começaram a criar e a interpretar partes dos Vedas, tentando diferenciar o aspecto místico do aspecto espiritual. Nos Vedas há muita informação, rituais, cerimônias, elementos mágicos, medicina. Mas alguns estudiosos tomam algumas partes e as reinterpretam ou simplesmente as comentam – e aí aparecem os Upanishads, que é um grupo de textos anônimos que tentam mostrar e esclarecer a natureza espiritual do ser humano, tema que sustenta os Vedas. Com os anos, apareceram uma série de textos, que já não são os Upanishads, mas textos épicos, como o Ramayana e o Mahabharata, com seu conhecido capítulo 18, o Bhagavad Gita. O Vedanta se sustém como sistema filosófico nos Upanishads, no Bhagavad Gita e na série de comentários muito famosos denominados Brahma Sutras. O coração, a espinha dorsal do Vedanta são esses textos. Eles mantiveram como foco de inspiração a todos os pensadores e a todos aqueles devotos que quiseram entender a essência do porquê das coisas.

 

ADVAITA E VAITA

 

Advaita significa não dualidade. Expressa uma identidade total, completa e absoluta entre o todo e o existente. Afirma que a essência básica, fundamental de todas as coisas, é a identidade, não a separatividade. A identidade em tempo e espaço. Existem várias correntes de Vedanta: a Advaita, que é a não dualista; um Vedanta Dvaita, que é a dualista, presumindo que a existência primária, que tem como deus Brahman, criador do mundo, supõe que o mundo evolui ao status de Brahman, mas mantém sempre a diferenciação entre o criador e o criado. Há uma terceira escola de Vedanta, dualista, com modificações – Vishishtadvaita, que pressupõe que o universo é criado pela divindade, e que esse universo, num momento de sua evolução, pode ser reabsorvido na divindade. Há uma criação primária, mas também uma absorção nessa identidade.

O Vedanta dualista nasce de uma forma de adoração (exemplo, Movimento Hare Krishna) dualista. A mente dualista sustém sua busca interior com base na crença de que a divindade oferece a graça para que ele, o devoto, possa ver a divindade fundir-se nela. Ou alcançar o status da divindade. Há um intermediário – o intermediário é Deus. Um elemento externo ao devoto, que serve de trampolim. Muito parecido com o sistema cristão – que é dual –, aqui está Deus, ali está o devoto. Há uma separatividade. O Vedanta é uma apreciação metafísica, em que o sentido da devoção é mais interior que ritualístico. Sua apreciação Advaita é a identificação do buscador com o absoluto. A linha Advaita é fundada e sustentada nas mesmas diretrizes iniciais da Dvaita, com os mestres Gaudapada e Govindapada, mas é estruturada por um grande filósofo da Índia, considerado o seu maior filósofo, que nasceu nos anos 700/800 da Era Cristã – que se chama Sri Shankaracharya. A linha vedanta Advaita é uma expressão da linha de ensinamento de Shankaracharya.

 

OS GRANDES MESTRES DO VEDANTA

 

os-grandes-mestres-do-vedanta-hinduismo-guru-india-nosso-blog-1.jpg

A luz no horizonte da Índia, a expressão mais limpa, mais pura, mais ética, mais equilibrada do ensinamento Vedanta. Ensinou através do silêncio. Só com sua presença. Ramana viveu no início século passado, e morreu em meados dele. Todos os mestres de todas as culturas e de todas as escolas da Índia o reconhecem como um grande mestre, alguém que alcançou a realização perfeita. Era tal a sua presença, era tal o sentido de sua interioridade, que não necessitava falar, apenas a sua presença o transmitia. Levava os seus devotos a um estado interior de quietude mental. Nunca saiu da Índia, esteve sempre perto de uma montanha, que foi seu mestre. Ramana é um gigante espiritual, do maior que há na humanidade, o ser mais sábio. Escreveu alguns textos para seus discípulos, alguns publicados.

 

 

os-grandes-mestres-do-vedanta-hinduismo-guru-india-nosso-blog-2.jpg

Foi um homem excepcional. Viveu no final do século XIX. Foi cristão, foi sufi, e por último adotou a tradição hindu. Foi partidário de várias escolas e por último escolheu a devoção como sua fonte de inspiração. Era devoto do deus sem forma, Advaita, mas também era devoto do deus com forma, Dvaita. Ensinava que entre o deus com forma dos bhaktis e o deus sem forma dos gnanis (advaitines) havia uma identidade total, significavam a mesma coisa; e que somente dependia do estudante, da conotação que ele queria ver, que no fundo ambas eram idênticas. Se tivesse que definir Ramakrishna, diria que é amor, ternura, devoção. Doçura. Teve muitos discípulos, e é muito conhecido por um de seus discípulos, Vivekananda.

 

 

os-grandes-mestres-do-vedanta-hinduismo-guru-india-nosso-blog-3.jpg

Criou a Ordem dos Swamis, o Ramakrishna Ashram, que tentou moldar as mentes dos buscadores sinceros. Foi quem levou o movimento Vedanta para os Estados Unidos e para o Ocidente.

 

 

os-grandes-mestres-do-vedanta-hinduismo-guru-india-nosso-blog-4.jpg

Morreu nos anos 1980, recentemente, e viveu em Bombay. Não escreveu nada. Um tigre, na melhor definição. Uma expressão mordaz, irônica e absolutamente sábia do que é ser vedante. Um mestre que com poucas palavras ensina a essência primária das coisas, que desarma com sua simplicidade e fino intelecto, as inquietudes das pessoas mais intelectuais. Uma das expressões mais puras de Dhyana, do conhecedor de Brahman. Um dos mais eminentes conhecedores da pureza do intelecto, através dos quais se pode romper os véus da ilusão. Nunca saiu da Índia, e durante grande parte de sua vida foi visitado por pessoas de todas as partes do mundo, que iam beber de seus ensinamentos. Nisargadatta, Ramana Maharshi e Ramakrishna são Jivanmuktas – pessoas que na tradição vedanta alcançaram um estado semelhante ao que no budismo se chama de Buda. Pessoas iluminadas, realizadas totalmente. Pessoas que se liberaram nesta vida, e que ensinaram a partir de sua experiência interior. Há que se acercar deles.

 

 

os-grandes-mestres-do-vedanta-hinduismo-guru-india-nosso-blog-5.jpg

Metódico, e às vezes excessivamente intelectual, Krishnamurti foi um pensador. Tentou mostrar, de uma maneira que o Ocidente entendesse, a profunda metafísica do Vedanta. Um grande mestre, que teve a grande virtude de fazer conhecido o Vedanta no Ocidente de uma maneira profunda. Tentou ensinar o Vedanta de uma maneira prática, tornando-o popular. Ensinou as pessoas a indagarem sobre a natureza do Vedanta. Ensinou as pessoas a se colocarem em contato consigo mesmas, a pensar, a refletir, e não criar distância com esse mundo – um mundo que parecia existir apenas nos Vedas, e que somente alguns mestres excepcionais podiam alcançar. Krishnamurti aproximou o mundo espiritual do mundo intelectual, e o entregou às pessoas. Era possuidor de um intelecto incisivo, asséptico, claro, e de suma inteligência. Excelente orador, seu trabalho se centrou na indagação sobre a natureza da mente. De como uma mente educada pode servir de trampolim para buscar o que está mais além dela mesma.

 

 

Fonte: Revista Meditação, 2000

 

 

Acompanhe a canção “Wahe Guru”:

 

 

WAHE GURU

(Avi & The Uprising)

 

Sometimes there are no roads

Some roads just have no time

Some rhymes are understood

Some lines they circle back

 

Wahe Guru, Wahe Guru

 

Dravid hits a six

Dhoni rolls his arm

Sachin loses calm

Bradman faces Warne

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

Some die to show us life

Some gods may be unkind

Some burn in rhythmic fire

Some beats they'll always breathe

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

You love so much you hate

You run so much you're still

You laugh so much you cry

You cry so much you laugh.

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

 

WAHE GURU (tradução)

 

Algumas vezes não existem estradas

Algumas estradas simplesmente não têm tempo

Algumas rimas são entendidas

Algumas linhas formam um círculo

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

Dravid  marca um seis

Dhoni abaixa o braço

Sachin perdeu a calma

Bradman olha Warne*

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

 

Alguns morrem para nos mostrar a vida

Alguns deuses podem ser cruéis

Alguns queimam num fogo rítmico

Algumas batidas vão sempre existir

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

Você ama tanto que odeia

Você corre tanto que espera

Você ri tanto que chora

Você chora tanto que ri

 

Wahe Guru

Wahe Guru

 

*referência a um jogo imaginário com grandes astros do críquete da Índia de diferentes gerações.

 


Voltar

ÚLTIMOS POSTS

19.11.2019
Quem se decide pela vida monástica zen-budista enfrenta duras provações, de fato. Enfrenta a si ...
Leia mais
12.11.2019
A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas ...
Leia mais
05.11.2019
Conta-se que um dia Buda estava no reino de Saravasti, no bosque de Jeta. Na hora do almoço, os bhiksus pegaram ...
Leia mais

VEJA TAMBÉM

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar

CompraZen, seu companheiro de jornada

Formas de pagamento

Formas de pagamento

Redes sociais

Facebook Instagram Youtube

Atendimento

(11) 4721-5028

(11) 93148-0456

Buda
2017 - Todos os direitos reservados - Compra Zen www.comprazen.com.br - CNPJ 15.294.311/0001-88
Rua Francisco Martins Feitosa, 119 - Mogi das Cruzes - SP - 08735-420 - Brasil
Preços, condições e promoções exclusivos para o site, podendo sofrer alterações sem prévia notificação.