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MEDITAÇÃO
29.10.2019
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Atenção plena e consumo
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“Vivemos em uma economia que oferece uma série de escolhas”, diz a monja budista Karma Lekshe, “mas o que leva a gente a comprar coisas nada relevantes?”. O que seriam essas necessidades desnecessárias que afirmamos como importantes e essa falta de consciência sobre os desdobramentos dos nossos atos? Muitos veículos de comunicação vendem produtos e serviços, mas também perspectivas e comportamentos. Dos produtos se veem os contornos, porém os comportamentos, estrondosamente sutis, são absorvidos pelo público sem que haja uma consciência clara sobre o tamanho da influência da mídia.

A crise vivida hoje está relacionada com os produtos e comportamentos que viemos comprando no decorrer das últimas décadas. Como o budismo pode nos ajudar nesse cenário? Esse sistema religioso e filosófico nos ensina técnicas sobre atenção plena que convocam novas atitudes para substituir velhos hábitos.

Práticas de atenção plena abrem a possibilidade de nos tornarmos mais conscientes sobre nossos processos mentais e, assim, mais lúcidos sobre o que está acontecendo conosco e ao nosso redor. Quando vamos a um supermercado, por exemplo, estar em estado de atenção plena pode nos ajudar a tomar melhores decisões. Se não estamos com a atenção operante, entramos no estabelecimento como máquinas, distraidamente apanhamos os itens que consumimos por hábito, pagamos e saímos de lá sem sequer olhar para o rosto do atendente do caixa. O convite que a monja Karma nos faz é para considerar cada pequena escolha que fazemos.

 

FELICIDADE NÃO ENTRA EM PROMOÇÃO

 

Todo mundo precisa comer, mas o que nos leva a comprar além do necessário? É para saciar desejos que consideramos como causadores de felicidade. De tanto saciar desejos, há muita gente com dívidas. E dívidas causam muita ansiedade e estresse. O sistema é um produtor de desejos e nos desafia a levá-los a sério. É um processo insistente de sedução.

Quando vamos a um shopping, antes de pagar um produto, pense: realmente preciso desse produto? É feito por uma corporação ética? Que consequências esse objeto carrega consigo para mim mesmo e para a sociedade? Decisões éticas são comportamentos intimamente conectados com práticas de atenção plena. Se estamos conscientes de nossos atos, há mais chances de tomarmos decisões éticas. Isso significa que pensar não apenas em como nossas escolhas influenciam a nossa felicidade, mas também a felicidade de todos os seres vivos. Se na hora de comprar algo no mercado, você escolher levar menos sacolas plásticas estará favorecendo uma realidade onde menos pacotes dançam a deriva nos oceanos – e sufocam animais de repente. “A felicidade depende do sentimento de satisfação com o que você já tem. Quando desejamos mais e mais, não estamos satisfeitos. Então entramos na ilusão de que acumular mais coisas vai nos tornar mais felizes. Engano. Buda disse: o contentamento é a maior riqueza”, comenta a monja.

 

 

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Contentar-se na sociedade do descontentamento é um paradoxo. E às vezes as pessoas exageram e caem em moralismos, entram em um processo missionário de convencimento dos outros, sobre o que deveriam fazer para mudar. Há um desafio claro em apresentar uma agenda ética e paixão por certas causas sem deixar quem está por perto em uma posição constrangedora. Fazer outras pessoas se sentirem culpadas por suas decisões não é efetivo, pode inclusive afastá-las. Pela perspectiva da pessoa que está tentando repensar suas escolhas, é preciso ser bastante honesto consigo mesmo. Não se considerar uma vítima do consumismo é uma percepção fundamental a carregar. Perguntas que não calam: quem são seus amigos? O que é valioso para os amigos com os quais você convive? É importante reconhecer que nossa ilusão consumista tem como pilares os nossos contatos mais próximos – se meus amigos valorizam roupas de marca ou alimentos caríssimos, seja lá o que for, e me deixo influenciar diretamente por essas decisões se nem perguntar o sentido delas, seguirei na ilusão consumista.

 

A CRISE DO MUNDO

 

“Precisamos escutar a crise do mundo”, ressalta Karma. Estar disponível para as histórias que as pessoas contam é o ato essencial rumo a uma escuta plural. E isso inclui ouvir não apenas as histórias dos seus amigos, que foram selecionados por você, mas também as histórias estranhas, com perspectivas distintas das suas. De certa forma, no fundo, trata-se de estarmos preparados para nos sentir desconfortáveis. A maioria das pessoas não é capaz de escutar os outros por causa de uma auto-obsessão, de um apego demasiado pela própria perspectiva. Repetidas vezes estamos diante de uma pessoa que conversa com a gente e não a escutamos verdadeiramente, pois, mentalmente, estamos planejando nossos próximos movimentos. Por não escutarmos cuidadosamente, contudo, acontecem muitos desentendimentos. Deixar a nossa visão autocentrada se dissolver é treinar uma escuta atenta. Podemos praticar esse exercício em pares: escutar a história de outra pessoa, em completa atenção, sem deixar que os próprios pensamentos entrem no meio do que a outra pessoa nos diz. Há múltiplos momentos em que isso acontece. No trabalho, quando o filho chega da escola, no telefone com a mãe...

Se separarmos um tempinho, todos os dias, para meditar, estaremos afinando os ouvidos para captar o que está acontecendo com nós mesmos (não estamos acostumados a ouvir esse mundo interior, não é mesmo?). É um gesto que nos permite olhar para dentro e descobrir infinitas respostas. Karma Lekshe nos estimula a dedicar pelo menos cinco minutos em silêncio todos os dias, quietos e tentando focar na nossa respiração. Focar na respiração é a meditação mais simples, um pedido para que assistamos ao natural movimento do corpo. Contar as respirações também é um meio de não deixar a mente dispersar. O ponto mais importante aqui é dedicar tempo para aprender a entrar em contato com os mundos interno e externo de maneira atenta. É estar no presente. E essa é uma porta de entrada para a felicidade, pois revela que decisões banais, na verdade, são escolhas determinantes para o presente e futuro. Então, na próxima vez que for ao supermercado, lembre-se da monja Karma Lekshe Tsomo: leve a atenção plena – e uma ecobag também, aliás, assim nem precisa pedir a sacolinha descartável.

 

 

Fonte: Bons Fluídos, Ed. 207

 

 

Uma mensagem para se refletir, na voz de Leo Cavalcanti:

 

 

SONHO PARASITA

(Leo Cavalcanti)

 

Já que estamos no meio

No auge desse caos

Abismados com a loucura radical

Que é estarmos vivos, justo aqui

 

Já que o homem parece ter criado para si

O seu mais cruel veneno

Já que somos esse fino cordão

Prestes a romper entre a terra e o céu

Prestes a vencer a data de validação

Dessa precária encarnação

 

Se não acordamos do sonho parasita (parasita)

Esquecemos no ato que viemos de visita

 

Como bichos da seda que se enrolam no cordão

Como bichos sem mato que se matam pra viver

Pensando em só sobreviver

Já que o homem parece ter contado para si

A mais sensual mentira

Já que a história é feita pra boi dormir

 

E se espreguiçar já não dá conta de acordar

E Yoga já não é mais meditar

Quem poderá nos levantar?

 

Se não subvertermos o modo parasita (parasita)

Esquecemos no ato que viemos de visita

 

Passe o código de barras desse seu coração

Para ser legitimado na pesagem do balcão

E desconte na fonte a alegria que ganhar

Garantindo as garantias que ninguém vai lhe mostrar

Boa sorte, se tiver

Quando seu fio se desfiar

Boa sorte, se quiser

Quando seu filme se revelar

 

Se não crescemos, viramos parasita (parasita)

Esquecemos no ato que viemos de visita

 

Como bichos da seda

Como bichos sem mato

Já que estamos no meio

E esquecemos no ato

 


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