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BUDISMO
05.11.2019
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Face de Espelho (conto budista)
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Conta-se que um dia Buda estava no reino de Saravasti, no bosque de Jeta. Na hora do almoço, os bhiksus pegaram as vasilhas das oferendas e aproximaram-se da cidade para pedir alimento. Chegaram um pouco antes da hora costumeira e então disseram uns aos outros:

“É muito cedo para entrar no povoado. É melhor sentar um pouco na sala de oradores dos brâmanes heréticos”.

Todos concordaram e para lá se dirigiram. Depois de trocar cumprimentos com os brâmanes e receber as boas-vindas, procuraram um lugar para sentar. Naquele momento, os brâmanes discutiam sobre seus livros santos, dando margem a uma discussão sem fim. Começaram, então, a censurar-se e odiar-se uns aos outros, dizendo:

“Aquilo que nós afirmamos é a lei, como pode ser possível que aquilo que vós dizeis também seja a lei? O que nós sabemos está de acordo com a doutrina. Como é possível que o que vós sabeis também esteja de acordo com ela? Nossa doutrina deve ser colocada em prática. A vossa será difícil de aceitar. Tudo o que deve ser dito antes, vós os dizeis depois. O que deve ser dito depois, vós os dizeis antes. Forçosamente, o que afirmais é falso. Como uma enorme carga que não se pode levantar, as razões que pretendeis discutir carecem de suficiente consistência para uma argumentação. Vossa ciência é vã e não possuís o menor conhecimento. Se vos confundirem com muitas perguntas, como podereis respondê-las?”

Desse modo, agrediam-se uns aos outros com as armas da palavra, devolvendo em triplo cada ferida sofrida. Enquanto isso, os bhiksus, ao escutar como se injuriavam mutuamente, não aprovavam as palavras de um dos lados, nem podiam confirmar as do outro. Finalmente, optaram por levantar-se e ir a Saravasti a fim de mendigar comida. Após receber sua porção, voltaram ao jardim de Jeta. Depois de render as homenagens a Buda, sentaram-se em fila e contaram-lhe o que havia acontecido:

“Estamos convencidos de que esses brâmanes fizeram esforços para estudar. Quando lhes será concedido compreender a verdade?”

Buda disse, então, aos bhiksus:

“Não apenas na vida presente permanecem os heréticos na escuridão e na confusão. Oh, bhiksus, já faz muito tempo, na região de Jambudipa, havia um rei chamado Face de Espelho, que recitava os livros essenciais de Buda. Seus conhecimentos eram tão numerosos como os grãos de areia do Ganges. No entanto, a maior parte de seus súditos, ministros ou gente do povo, não lia os textos budistas, ao contrário, dedicava-se a livros mesquinhos. Eles tinham fé na luz do vaga-lume e punham em dúvida o esplendor que projetam ao longe o sol e a lua. O rei serviu-se então de cegos para fazer uma demonstração, pois ele desejava que seu povo renunciasse aos charcos para navegar no grande oceano. Para isso, ordenou a seus emissários que percorressem o reino em busca de todos os cegos de nascimento com o objetivo de levá-los à porta do palácio. Ao receber a ordem, os oficiais apressaram-se em cumpri-la e logo todos os cegos do país chegavam ao lugar destinado. O rei foi então informado de que todos se achavam reunidos de acordo com seus desejos. Ele disse:

‘Ide e mostrai-lhes os elefantes’.

Os oficiais obedeceram sem vacilar e levaram os cegos para junto dos elefantes, guiando suas mãos para que pudessem tocá-los. Entre os cegos, um pegou uma perna, outro a cauda, outro a raiz da cauda, outro mexeu na barriga, outro numa presa, outro na tromba. Os cegos, depois, começaram a discutir ruidosamente sobre os referidos animais. Cada um afirmava que sua definição era a correta e não a dos outros.

Os emissários levaram os cegos ao rei e este lhes perguntou:

‘Vocês viram os elefantes?’

‘Nós os vimos perfeitamente.’

O rei perguntou:

‘Com que se parece um elefante?’

Aquele que tinha mexido na perna respondeu:

‘Oh, sábio rei, um elefante é como um tubo torneado. ’

 

 

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O que tinha mexido na cauda disse que o elefante era como uma vassoura. O que tinha mexido na raiz da cauda afirmou que era como um bastão. O que tinha mexido na barriga disse que era como um grande tambor. O que tinha mexido no lado do corpo assegurou que era como um muro. O que tinha mexido no lombo disse que era como uma mesa muito alta. O que tinha tocado a orelha comparou-o a um pedaço de couro esburacado. O que tocou a cabeça disse que era como um grande dosador de grãos. O que tinha tocado a presa afirmou que era como um grande chifre, e o que tocou a tromba respondeu:

‘Oh, sábio rei, o elefante é como uma grande corda grossa’.

Quando todos já haviam dado suas versões, começaram a discutir entre si diante do rei, cada um assegurando que a verdade era tal como ele a tinha definido e não de acordo com os outros. O rei Face de Espelho riu às gargalhadas e disse:

‘Assim como esses cegos, exatamente como eles sois vós que não lestes os livros budistas’.

Depois pronunciou o seguinte gâthâ:

‘Agora vós sois um tropel de cegos, discutis em vão pretendendo dizer a verdade, mas percebendo apenas um ponto. Vós vos ufanais de negar o resto e brigais por causa de um elefante’.

O rei acrescentou:

‘Aqueles que se aplicam no estudo de livros mesquinhos e que não leram os escritos budistas possuem uma verdade e uma retidão tão limitadas que tudo os afeta, tão pequenas que tudo os cobre. São como as pessoas privadas de visão’.

Assim a todos, sejam de alta ou de baixa condição, interessa recitar os livros budistas.

Buda disse aos bhiksus:

“O rei Face de Espelho era eu mesmo. Quanto às pessoas privadas de visão, eram os brâmanes da sala de conferências. Naquele tempo eram gente sem sabedoria e devido a sua cegueira eram dados à discussão. Agora, quando disputam, encontram-se também na escuridão e por causa de suas disputas não fazem nenhum progresso.”

 

 

Fonte: Contos Budistas da China, Coleção Arca da Sabedoria, Editora Aquariana

 

 

 


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