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ESPIRITUALIDADE
27.10.2020
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Iluminação e individualidade
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O ser humano comum, inconsciente, não tem nenhuma individualidade; ele tem apenas uma personalidade. Personalidade é aquilo que os outros lhe dão – seus pais, seus professores, o sacerdote, a sociedade –, o que quer que tenham dito sobre você. E você deseja ser respeitável, ser respeitado, e por isso tem feito coisas que são apreciadas e a sociedade continua o recompensando, o respeitando cada vez mais. Esse é seu método de criação de uma personalidade.

Mas a personalidade é muito tênue, está à flor da pele. Não é a sua natureza. A criança nasce sem uma personalidade, mas nasce com uma potencial individualidade. A potencial individualidade simplesmente significa sua singularidade em relação a qualquer outra pessoa – a diferença. Então, em primeiro lugar, lembre-se de que individualidade não é personalidade. Quando você abandona a personalidade, descobre sua individualidade – e só o indivíduo pode se tornar iluminado. O falso não pode se tornar a realização final da verdade. Só a verdade pode se encontrar com a verdade, só os iguais podem se encontrar com os iguais. Sua individualidade é existencial; por isso, quando sua individualidade floresce, você se torna um com o todo.

Aqui estão vem uma outra questão: se você é um com o todo, mesmo assim pode permanecer individual? A experiência de se tornar o todo é uma experiência da consciência, e a expressão dela vem através do corpo, através da mente. A experiência está além da estrutura corpo/mente. Quando uma pessoa se torna absolutamente silente, entra no samadhi, atinge o quarto estado, ela não é corpo, não é mente. Estão todos silentes – ela está bem acima deles. Ela é consciência pura.

Essa consciência pura é universal, assim como a luz em todas essas lâmpadas é uma só, mas pode ser expressa de diferentes maneiras. A lâmpada pode ser azul, a lâmpada pode ser verde, a lâmpada pode ser vermelha; a forma da lâmpada pode ser diferente. O corpo/mente ainda estão ali, e se o homem de experiência quiser expressar sua experiência tem de usar o corpo/mente; não há outra maneira. E seu corpo/mente são únicos – só ele tem essa estrutura, ninguém mais a tem.

Assim, ele teve a experiência do universal, se tornou o universal, mas para o mundo, para os outros, ele é um indivíduo único. Sua expressão vai ser diferente daquelas das outras pessoas realizadas. Isso não significa que ele queira ser diferente; ele tem um mecanismo diferente, e ele só pode chegar até você através desse mecanismo.

Tem havido pintores iluminados. Eles nunca falaram porque a palavra não era a sua arte; mas pintaram. E suas pinturas são totalmente diferentes das pinturas comuns, mesmo das pinturas dos grandes mestres. Até os maiores mestres pintores são pessoas inconscientes; o que eles pintam reflete sua inconsciência.

Mas se um homem realizado pinta, então sua pintura tem uma beleza totalmente diferente. Não é apenas uma pintura, é também uma mensagem. Ela tem um significado a ser descoberto. O significado foi apresentado em código, porque o homem só foi capaz de pintar, e por isso sua pintura é um código. Você tem de descobrir o código, e então a pintura vai revelar imensos significados. Quanto mais profundamente você penetrar nesses significados, mais e mais você vai encontrar. As outras pinturas são apenas planas; elas podem ter sido feitas por mestres, mas são planas. As pinturas feitas por um homem realizado são multidimensionais. Se o homem for um poeta, como Kabir, ele canta, e sua poesia é sua expressão.

Se o homem for articulado a ponto de falar o inexprimível, então ele fala; mas suas palavras terão um impacto totalmente diferente. As mesmas palavras são usadas por todo mundo, mas não têm esse impacto, porque não carregam a mesma energia, não vêm da mesma fonte. Um homem de experiência traz suas palavras repletas de sua experiência – elas não são áridas, não são as palavras de um orador ou de um locutor. Ele pode não conhecer a arte de falar, mas nenhum orador consegue fazer o que ele consegue com as palavras. Ele consegue transformar as pessoas pelo simples fato de elas o ouvirem. Só por estar na presença dele, só por deixar suas palavras choverem sobre você, você vai sentir uma transformação acontecendo: um novo ser nasceu em você, você está renascido.

Então, quando eu digo que até mesmo as pessoas iluminadas têm individualidade, quero dizer que elas permanecem únicas – pela simples razão de que têm uma estrutura corpo/mente única, e qualquer coisa que chegue até você tem de chegar através dessa estrutura.

 

 

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Buda fala de uma maneira, Mahavira fala de outra maneira. Chuang Tzu fala através de histórias absurdas – ele é um grande contador de histórias –, mas elas, em conjunto, vão brincando com seu coração. As histórias são tão absurdas que sua mente não consegue fazer nada. Essa é a razão de ele ter escolhido histórias absurdas, para que sua mente não possa intervir. Com suas histórias absurdas ele detém sua mente, e então a presença dele fica disponível para você e para seu coração; você pode beber o vinho que ele lhe trouxe. E ele afasta sua mente contando-lhe uma história absurda. A mente fica confusa e para de funcionar.

Muitas pessoas têm ponderado sobre o porquê de Chuang Tzu escrever histórias tão absurdas. Mas ninguém foi capaz de explicar o fato pela simples razão de que as pessoas que têm pensado sobre o porquê de ele escrever as histórias não têm ideia de aquilo é um recurso para fazer a mente das pessoas parar de funcionar – e então as mentes ficam disponíveis, totalmente disponíveis com seus corações. Dessa maneira ele consegue entrar em contato com você.

Mas Buda não consegue contar uma história absurda. Ele usa parábolas, mas elas são muito significativas. Ele não quer evitar a mente. Essas são as singularidades das pessoas. Ele quer que a mente seja convencida e então, mediante essa convicção da mente, ele quer atingir seu coração. Se a mente estiver convencida, ela abre caminho. E as parábolas de Buda, seus discursos, são todos lógicos; mais cedo ou mais tarde a mente tem de abrir o caminho.

Diferentes mestres. Por exemplo, Jalaluddin Rumi não fazia nada além de girar. Ele se tornou iluminado após 36 horas seguidas girando, sem uma pausa, sem parar de girar. Na verdade, toda criança gosta de girar. Os pais fazem-nas parar; eles dizem: “Você vai cair. Poder tem um ataque ou bater em alguma coisa – não faça isso”. Mas todas as crianças, no mundo todo, adoram girar, porque de algum modo, enquanto a criança está girando, ela encontra seu centro. Sem encontrar o centro ela não consegue girar. O corpo continua girando, mas o giro tem de acontecer em torno de um centro; então, devagar, aos poucos, ela toma consciência do centro.

Após 36 horas de giro continuo, Rumi teve absoluta clareza de seu centro. Essa era sua experiência do fundamental, do quarto. Então, durante toda a sua vida ele não fez outra coisa senão ensinar as pessoas a girar. Isso parecerá absurdo para um budista, parecerá absurdo para qualquer outra religião – pois o que você pode obter ao ficar girando? Esse é um método simples, o método mais simples, mas pode ou não se adequar a você. Por exemplo, para mim ele não é adequado. Eu não consigo sequer me sentar em um balanço; isso já é o bastante para me provocar náuseas. Também não consigo ver ninguém balançando! Até isso basta para me provocar náuseas. Então, Rumi não se adéqua a mim. E pode haver muitas pessoas para as quais girar vai provocar náuseas, vômito. Isso significa que Rumi não se adéqua a elas.

Somos individualmente diferentes. E não há contradição nisso. A pessoa pode experienciar o universal, mas, quando surge a questão da expressão, tem-se de ser individual.

 

 

Fonte: A Jornada de Ser Humano, Osho, Academia

 

 

Assista ao instigante documentário “Samadhi”:

 

 


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