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ESPIRITUALIDADE
21.07.2020
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Cultivando a vida interior
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Para abordar o tema da vida interior é importante colocar duas questões que podem ser empecilhos e também desafios à vida espiritual:

 

1 - Superficialidade versus interioridade:   Em primeiro lugar, o que predomina no mundo de hoje não é a vida interior que demanda profundidade, mas impera a superficialidade; não a interioridade, mas a exterioridade. É um universo cheio de aparatos, perturbado por ruídos e atribulado com ocupações e preocupações. É o rádio, a televisão, o celular, a internet, os entretenimentos esportivos e musicais, os shows de toda ordem, até showmissas. Como criar tempo, espaço e condições para encontrar-se consigo mesmo e escutar o que lhe vem de dentro? Sem pretender generalizar, o efeito final desse modo de viver, que constitui a cultura dominante, é, não raro, um imenso vazio, surgindo medo difuso, Síndrome do Pânico e outros sintomas semelhantes. Uma sensação se sucede à outra, deixando atrás de si a percepção de que, no fundo, nada vale a pena. Estamos sempre nos ocupando com coisas e sendo ocupados por toda uma indústria que vive da propaganda, do marketing, da indução ao consumo de produtos que, em sua grande maioria, nem precisamos, de pacotes de viagens, de novas experiências, etc. Onde fica a coragem para encontrarmos conosco mesmos? Quando reservamos espaços de tempo para fazermos uma viagem ao nosso próprio coração?

 

2 - A espetacularização do religioso:   A segunda reflexão concerne à volta e à revitalização de todo tipo de religião, de caminhos espirituais e de esoterismos; seja porque as religiões tradicionais ganham mais adeptos ou se renovam, seja porque há o surgimento de novas igrejas, seitas e novos caminhos espirituais e místicos. Nesse retorno do religioso e do místico há elementos positivos, pois fez com que as pessoas descobrissem uma dimensão tornada invisível no mundo moderno, sendo portadora de sentido de vida. Entretanto, muitas dessas experiências foram apropriadas pelo mercado, que de tudo faz negócio e oportunidade de ganho. A religião se transformou em mercadoria. Exploram-se carências humanas, sentimentos de abandono e de fragilidade para se oferecerem remédios imediatos e miraculosos. Organizam-se verdadeiros espetáculos religiosos com famosos pregadores, alguns cantores, todos verdadeiros artistas do entretenimento religioso, através da televisão ou de concentração que reúnem milhares e milhares de pessoas. Tudo isso é o mundo exterior, suscitando os mais variados sentimentos religiosos, mas ainda não constituem a vida interior. A busca de uma paz interior e a vivência da espiritualidade prescindem do espetáculo. Mas se nessas ocasiões tivermos vivido uma experiência espiritual, ela permanece depois do espetáculo! Frequentar cultos, participar de shows religiosos, cantar e dançar diante do altar não constitui ainda a espiritualidade. Tudo isso não passa de expressão religiosa, construção cultural, diferente da cultura local.

 

O QUE É, ENTÃO, A VIDA INTERIOR?

 

Como sabemos, “interior” é oposição a “exterior”. A vida possui uma dimensão exterior; é a nossa corporalidade viva, a nossa presença no mundo, na família, na comunidade e diante das pessoas. A cultura moderna inflacionou a exterioridade através de todos os meios da tecnociência e de comunicação. O mundo das pessoas foi totalmente exteriorizado e devassado. Mas, voltando ao aspecto interior, podemos dizer que ele é aquilo que não se vê diretamente. Interior significa a profundidade humana. Então, a vida interior, o profundo emerge quando o ser humano para, quando faz silêncio, quando passa a olhar para dentro de si, quando pensa seriamente, quando coloca-se questões decisivas como: Que sentido tem minha vida? O que estou fazendo aqui? Que significado tem esse universo de coisas, de aparelhos, de trabalhos, de prazeres, de sofrimentos, de lutas e vitórias? Qual é o meu lugar junto aos demais seres? Como assumo a interdependência de tudo com tudo e me relaciono com as energias que estão conformando o universo e a Terra? Quem se esconde atrás das estrelas? O que posso esperar para além desta vida, já que vejo tantos amigos próximos morrerem, às vezes, de forma absurda: no tráfego, por bala perdida, de uma doença voraz? Afinal, por que estou neste planeta, belo e maltratado?

 

 

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VIDA INTERIOR E RELIGIÃO

 

Quem oferece respostas para tantas perguntas? Geralmente as religiões sempre se ocuparam destas questões. As filosofias antigas e modernas estão sempre às voltas com tais interrogações existenciais. A sabedoria dos povos se formou tentando elaborar visões e lições a partir desses questionamentos. Mas voltamos a afirmar: não basta frequentar um culto, aderir a um caminho espiritual e se alimentar de ritos e símbolos se estes não produzem dentro da pessoa uma experiência de sentido, uma comoção nova, uma percepção do todo do qual somos parte e uma mudança vital.

Vida interior não é monopólio das religiões e dos caminhos espirituais; estes vêm depois. Vida interior é uma dimensão do humano, por isso é universal. Dá-se em todos os tempos e em todas as culturas. Bem ou mal, faz-se atuante em cada pessoa humana, mesmo que o seu interior seja embotado ou recoberto das cinzas de um modo de vida absorvido pelo mundo exterior. Mas para cada um chega o momento de questionamento sobre o sentido da vida e do universo, sobre o porquê do sofrimento, sobre a possível esperança de vida para além da vida. Depois da festa mais deslumbrante vem o momento em que estamos a sós, sem máscaras e com nosso travesseiro. Despimo-nos e nos confrontamos com nossos anjos e demônios interiores.

As religiões são codificações culturais dessa experiência humana universal. Mesmo os textos sagrados das Escrituras (judaico-cristãs, islâmicas, védicas e outras) repousam sobre a vida interior de seus profetas, místicos, carismáticos, sacerdotes, santos, pensadores e simples gente do povo. Elas se mantêm vivas e atuantes porque seus fiéis, muito além de frequentarem cultos, cultivam vida interior. As religiões cumprem sua missão quando suscitam e alimentam a vida interior de seus seguidores, mas elas não a substituem.

Mas a vida interior é sempre o grande remédio contra os desvios das religiões. É a interioridade que alimenta, renova e confere sentido de contemporaneidade às religiões e aos caminhos espirituais. Por isso, a vida interior tem que ir além das religiões e mergulhar na fonte de onde elas surgiram. Vida interior supõe escutar as vozes surgidas de toda a realidade, do universo sobre nossas cabeças, entendido em sua complexidade e nas ordens que culminam na vida em todas as suas formas. Vida interior resulta da atenção aos movimentos que vêm de dentro. Há um eu profundo, carregado de anseios, sonhos, utopias... e que assome à consciência. Há uma exigência ética que nos convida para o bem; não apenas para o nosso bem, mas também para o bem dos outros.

 

VIDA INTERIOR: A DIMENSÃO ESQUECIDA DA HUMANIDADE

 

A vida interior representa, atualmente, a dimensão esquecida da humanidade. Importa resgatá-la, pois nela se encontra o segredo da felicidade, da responsabilidade diante de toda a vida, do cuidado para com todas as coisas. Ela significa o sagrado em nós, que nos propicia o sentimento de dignidade, de respeito e de reverência. O efeito mais imediato dessa vida interior é a paz e a serenidade. São forças que permitem enfrentar os problemas cotidianos da vida sem perder a cabeça ou estressar-se demasiadamente. É uma atmosfera de sentido que sustenta as pessoas, mesmo diante de tragédias ou grandes decepções; é aquilo que confere peso e densidade. O cultivo permanente da vida interior produz irradiação sobre as pessoas, um efeito de tranquilidade e de pacificação. As pessoas se sentem bem e encontram repouso junto àquelas que têm vida interior.

Sem essa profundidade interior sucumbimos às ilusões da exterioridade e colhemos frustrações sobre frustrações. Com vida interior, podemos usar de todas as coisas com medida, de forma soberana e não escravizada, sendo agraciados com o maior dom que podemos aspirar: a liberdade interior. Livres, podemos ser criativos, superar amarras familiares e sociais, desfrutar com inocência todas as experiências que nos advêm; temos possibilidade de moldar nossa própria vida e definir o nosso destino. Ser livre é ser plenamente pessoa, nó de relação para com todas as coisas; ser livre é alçar-se ao patamar de Deus, pois nos sentimos seus filhos e filhas, frutos da alegria, e não da necessidade.

Ter vida interior, como é sabido e repetido, é não ter mais solidão, que é um dos maiores inimigos do ser humano, pois lhe desenraiza de sua conexão universal, dando-lhe o sentimento de desamparo e fazendo-o vivenciar o inferno. A vida interior é uma antecipação do céu com todas as suas doçuras. Há muitos caminhos e métodos para alimentar tal vida interior, e a humanidade é rica deles. Precisamos valorizá-los e, quem puder e quiser, segui-los.

 

 

Fonte: Meditação da Luz, Leonardo Boff, Vozes

 

 

Ouça e mergulhe dentro de sua paz interior:

 

 

CALMA E TRANQUILIDADE

(Marco Schultz)

 

Calma e tranquilidade

São as ordens do senhor

Calma e tranquilidade

Para receber o amor

 


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