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BUDISMO
13.10.2020
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Samsara e a Roda da Vida
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Os budistas tibetanos têm uma crença profunda no renascimento – a noção de que a morte, longe de ser um fim, é simplesmente o início de outro ciclo de existência. O nome dado ao processo de nascimento, morte e renascimento é samsara. A cada vez que renascemos, entramos numa existência caracterizada por duhkha (sofrimento, dor, insatisfação). O ciclo de renascimento continua indefinidamente, até que o despertar nos liberte de samsara: essa é a meta da prática budista.

 

OS SEIS DOMÍNIOS DO SER

 

Os budistas acreditam que os seres podem renascer em seis domínios distintos. Os seres sencientes vão passando por esses estados de acordo com a quantidade de karma positivo ou negativo que acumularam – a palavra karma significa, literalmente, “ação”. Os seres não podem existir no mundo sem agir, e cada ato do corpo, do discurso ou da mente tem consequências “salutares” ou “nocivas”. Quando um ser morre, é o balanço do seu karma positivo ou negativo que vai determinar em que domínio ele vai renascer.

Iconograficamente, o samsara é representado como Bhavachakra, ou “Roda da Existência”. A roda é dividida em seis partes distintas, sendo que na metade superior estão os “três renascimentos afortunados” e na metade inferior os “três renascimentos desafortunados”. No topo fica o domínio dos deuses (devas), a forma mais alta de existência. Embora não tenha um conceito de Deus como criador supremo, o Budismo herdou a crença indiana numa multiplicidade de seres divinos. No entanto, como os deuses têm tudo o que poderiam desejar, falta-lhes motivação para praticar o Dharma. Assim, é quase impossível para um deus atingir o despertar.

 

 

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Os que nascem no domínio que vem logo abaixo são os “deuses ciumentos” (asuras), que invejam o bom karma dos devas. Movidos pelo ciúme, os asuras travam batalhas constantes com os devas pelo fruto da “árvore realizadora dos desejos”, que tem suas raízes nos domínios dos asuras e os frutos nos domínios dos devas.

Abaixo do domínio dos asuras está o domínio humano (à direita do domínio dos deuses). Essa existência é considerada mais afortunada – os tibetanos a chamam de “precioso renascimento humano” – porque oferece a melhor oportunidade de compreender as questões existenciais – nascimento, velhice, doença e morte – e, assim, desenvolver a sabedoria e a compaixão necessárias à liberação. É difícil chegar a um nascimento humano e nada garante que vamos ter outro. Por isso, temos que prezar esta existência praticando o Dharma da melhor maneira possível.

Renascer como fantasma faminto (preta) é passar a existir num domínio de imenso sofrimento, que vem de um desejo que não pode ser satisfeito. Com boca pequena, pescoço fino e barriga enorme, os pretas sofrem de fome e sede sem limites, que nunca são abrandadas. Seu domínio representa a natureza do desejo, destrutiva e sem limites.

O domínio animal é considerado um domínio de grande sofrimento e opressão – basta pensar no número de animais que são mortos todos os dias para alimentar seres humanos e outros animais. Levados por instintos cegos, os animais se limitam a comer, procriar e defecar. Assim, raramente conseguem acumular karma positivo.

No ponto mais baixo da roda de samsara estão os infernos, quentes e frios. São regiões de intenso sofrimento, mas de onde é possível escapar e renascer num domínio mais alto.

Os seis domínios não são apenas lugares em que os seres renascem fisicamente, mas também estados psicológicos. Em outras palavras, a mente dos seres sencientes está sempre “subindo” e “descendo”, “renascendo” de momento a momento nos vários domínios psicológicos.

No aro da roda há doze imagens que simbolizam os doze elos (niddana) de “origem dependente” (pratiyasamutpada), fatores responsáveis pelo movimento dos seres através dos seis domínios de samsara. Os tibetanos acreditam que, a menos que os elos dessa cadeia sejam quebrados, a roda de samsara vai girar eternamente e nós vamos passar por sofrimentos intermináveis. A relação entre os elos é de dependência: cada um deles cria as condições necessárias para que o outro surja.

O primeiro elo da cadeia é ignorância (avidya) da realidade. Na roda, esse estado é representado por um cego com um bastão. “Formações kármicas” ou “tendências” (samskaras) constituem o elo seguinte. São maneiras habituais de agir numa existência anterior que determinam o renascimento: se nossas samskaras são salutares, vamos renascer num domínio mais alto, se não, vamos renascer num domínio mais baixo. Na roda, as samskaras são representadas por um oleiro. Com habilidade, ele fará bons potes: em outras palavras, samskaras positivas levarão a um renascimento afortunado.

As samskaras oferecem condições para o renascimento da consciência (vijnana), o elo seguinte, representado na roda por um macaco saltando de galho em galho. O surgimento da consciência é pré-condição essencial para o elo seguinte, “mente e forma” (namarupa), o continuum corpo-mente. “Forma” significa forma física e também toda a matéria que compõe essa forma física. “Mente” tem três elementos: sentimento, no sentido de emoção, discernimento ou percepção e disposições mentais. Na roda, forma e mente são representadas por um barco (o corpo) com quatro passageiros (consciência, sentimento, discernimento e formações).

Com o surgimento do corpo e da mente, surgem então os “seis sentidos” (saday-atana), os cinco sentidos físicos mais a própria mente, que é considerada um outro órgão sensorial. Esse elo é representado por uma casa vazia com seis janelas – sendo que o “vazio” indica a não existência do eu. Os sentidos oferecem as condições para o “contato” (sparsha). O sentido do olfato, por exemplo, é a condição para a percepção de odores. Na roda, o contato é representado por um homem e uma mulher em união sexual: o abraço mostra a relação estreita entre contato e sentidos.

Quando ocorre o contato, o “sentimento” (vedana), no sentido físico, surge automaticamente. Na roda, ele é vivamente representado por um homem com uma flecha no olho.

A sensação física é condição necessária para o elo seguinte, sofreguidão ou desejo (trshna) – quando o sentimento é agradável, é quase inevitável desejar mais. Na roda, o desejo é representado por uma mulher servindo uma bebida para um homem, uma referência ao sentido literal da palavra sânscrita trshna (“sede”).

Quando nasce o desejo, a consequência é invariavelmente o “apego” (upadana). Há quatro tipos de apego: apego ao prazer sensual; apego a opiniões e visões infundadas; apego a doutrinas de eternidade; apego a éticas e rituais normativos. Na roda, a representação de upadana é um homem colhendo uma fruta, aqui também uma referência ao seu significado literal: “pegar” ou “agarrar”.

Desejo e apego levam à vontade de “se tornar” (bhava), sendo assim a condição necessária para o renascimento em qualquer um dos seis domínios. Na roda, a representação de “tornar-se” é uma mulher grávida. O desejo de continuar existindo leva ao nascimento efetivo (jati), o décimo primeiro elo, representado por uma mulher dando à luz. O nascimento é condição para a velhice e a morte (jaramarana), com o sofrimento que as acompanha. A representação de jaramarana é um homem levando um cadáver para o cemitério.

 

 

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O Bhavachakra mostra os seis domínios em que os seres renascem, dependendo do seu karma. No centro, há representações dos “três venenos”, ganância, ódio e ilusão (representadas por um galo, uma cobra e um porco), que alimentam ações negativas e impedem que os seres saiam do “oceano sem fim” de samsara. Quem segura a roda é Yama, o deus da morte, responsável pela perpetuação de samsara. O estado livre de nascimento e sofrimento é representado pelo Buddha, que está fora da roda.

O Budismo não nega a existência de domínios celestiais e infernais. No entanto, é diferente de outras tradições religiosas na medida em que, no Budismo, céu e inferno estão firmemente plantados no interior de samsara. Quem acumula suficiente karma bom em existências anteriores para renascer num domínio celestial, tornando-se assim um deus (dev), nem por isso escapa do ciclo de renascimento. O domínio dos deuses representa a mais alta forma de existência em samsara, mas o único renascimento possível para um ser desse domínio, uma vez esgotados seus merecimentos kármicos, é num dos domínios inferiores.

Do mesmo modo, os seres enviados aos domínios infernais por causa de um mau karma não estão destinados a permanecer lá para sempre. Segundo se acredita, uma única boa ação ou um só pensamento bom pode levar um ser desses domínios para domínios superiores. A região infernal budista difere também das outras religiões na medida em que, nela, as punições impostas são auto-infligidas – Yama, o deus da morte, segura um espelho diante dos desafortunados que aí renascem para que se julguem pelo que veem no espelho e sejam punidos de acordo com isso.

 

 

Fonte: O Livro Tibetano da Vida, da Morte e do Renascimento – Um guia ilustrado da sabedoria tibetana, John Peacock, Pensamento

 

 

Acompanhe a arte tibetana do desenho com areia colorida na mandala da Roda da Vida:

 

 


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