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FILOSOFIA ORIENTAL
20.11.2018
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Chuang-tzu - A verdadeira liberdade
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Chuang-tzu (369 – 286 a.C.) é, ao lado de Lao-tzu, um dos mais conhecidos e prolíficos fundadores do Taoismo. Seus trabalhos, conhecidos como “O Chuang-tzu”, elucidam e ilustram os conceitos taoistas por meio de histórias vívidas. Os escritos de Chuang-tzu inspiraram profundamente as teorias filosóficas, médicas e estéticas chinesas, em particular o tai chi chuan e o Zen budismo. Os professores Zen utilizam seus conceitos e metáforas para expressar os princípios que traçam um paralelo aos do Zen.

O verdadeiro nome de Chuang-tzu era Chuang Chou. “Tzu” significa “mestre” e é um título de respeito. Por isso, ele é mais conhecido como Chuang-tzu, ou “Mestre Chuang”. Pouco se sabe de sua vida pessoal, além do que consta em seus escritos e em uma curta biografia compilada pelo historiador Ssu-ma Ch’ien. Chuang-tzu cresceu e viveu no estado de Meng, parte do reino de Wei, onde Lao-tzu passou a maior parte de sua vida.

Chuang-tzu era um grande conhecedor das filosofias clássicas proeminentes de sua época, mas deixava muito clara sua preferência pelo Taoismo. Diferente de outros escritores taoistas, seus trabalhos discordam de todas as demais filosofias, especialmente do Confucionismo. Ele escreveu inúmeras histórias em que os sábios taoistas convencem os filósofos de outras escolas da sabedoria do Taoismo.

 

LIBERDADE INTERIOR

 

Chuang-tzu viveu sua filosofia de acordo com seus princípios. Defendia com afinco seu tempo e sua liberdade, por isso optou por um trabalho simples, que lhe deixasse bastante tempo para pescar e filosofar. Ele tinha ainda um pequeno número de discípulos com quem realizava discussões filosóficas, e nunca deixou que as obrigações profissionais comprometessem sua autodeterminação.

Uma das mais famosas histórias sobre Chuang-tzu mostra o quanto ele valorizava a vida e a liberdade. O rei Wei da China tinha ouvido falar em sua capacidade de expressar com clareza e presença de espírito os conceitos mais profundos. Um dia, decidiu enviar mensageiros carregados de presentes para convidá-lo à sua Corte e oferecer-lhe a posição de primeiro-ministro. Os mensageiros encontraram Chuang-tzu pescando em silêncio. Em voz alta e orgulhosa, um deles anunciou:

- Foste honrado por nosso rei! Ele oferece a ti um convite para ser seu ministro.

Chuang-tzu permaneceu imóvel. Então, sorriu e disse, com um ar pensativo:

- Sinto-me honrado de que o rei queira contratar-me para a tão estimada posição de primeiro-ministro. Mas, antes de dar-vos minha resposta, deixe-me fazer uma pergunta. Ouvi dizer que o príncipe de Chu guarda cuidadosamente em um cofre no altar uma tartaruga sagrada que viveu três mil anos. Agora eu vos pergunto: essa tartaruga preferiria ser morta e ter seus restos expostos e reverenciados em um museu a estar viva, mergulhando na lama?

Os mensageiros não podiam responder outra coisa senão:

- É claro que ela preferiria estar viva, brincando na lama.

Ao que Chuang-tzu respondeu:

- Agora podeis deixar-me. Eu prefiro ser livre para mergulhar na lama!

Chuang-tzu acreditava que as pessoas viveriam felizes e satisfeitas se fossem livres para se desenvolver. Ele achava que cada indivíduo deveria poder viajar pelos ciclos da vida sem precisar se esconder.

 

 

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CONHECIMENTO RELATIVO X SABEDORIA ABSOLUTA

 

Chuang-tzu sentia que as pessoas passavam muito tempo questionando cada aspecto da vida. Discutir em excesso distancia os indivíduos do Tao. “Palavras são como ondas ativadas pelo vento”, ele disse. “O ponto real da questão é perdido” (Legge 1962, 214). Chuang-tzu viveu durante um período instável da história chinesa, quando as pessoas duvidavam constantemente da política e filosofia. Mas, afirmava que todos esses argumentos eram relativos. Os homens discutem porque perderam contato com a unidade que permeia as aparentes distinções – o Tao precede todas as diferenças.

Para o Tao, todas as perspectivas são iguais, pois tudo faz parte da unidade. O Tao escapa de qualquer definição restritiva. Ele está em tudo e em todos os lugares, nas bases da sabedoria. Para Lao-tzu, o indivíduo que acredita conhecer tudo não sabe nada realmente, e o que tem consciência de sua ignorância é sábio. A sabedoria não vem da opinião, conhecimento ou aprendizado, e sim da intuição – a natureza mais profunda das coisas. Chuang-tzu aconselhou as pessoas a ficarem em paz com a natureza para saber verdadeiramente.

Em todos os seus escritos, Chuang-tzu ilustrou muitas de suas ideias com exemplo naturais. Ele acreditava que o caminho da natureza é o caminho do Tao. Quando a natureza é incentivada a seguir seu caminho sem interferência, ela se desenvolve como deve. Cada um é adequado a um modo de vida próprio; por isso, as pessoas não podem tentar impor um padrão. Em vez disso, elas devem encontrar e seguir o seu próprio modelo interior. Assim, é recomendável que os artistas, por exemplo, pintem ou desenhem espontaneamente a partir da natureza – com isso, a inspiração criativa será apenas consequência. Às vezes, o padrão interior só pode ser conhecido em termos daquilo que não é. A primeira atitude para isso pode ser a rejeição à educação e às limitações adquiridas culturalmente. O brilho da verdadeira natureza interior ilumina a escuridão do desconhecido. O salto da intuição é mais que um primeiro passo; ele nos guia em nossa jornada. A razão, paradoxalmente, nos desvia do caminho.

Chuang-tzu explicou isso tomando cavalos como exemplo. As patas duras dos animais permitem que eles viajem sob fortes geadas e neve, e seus pelos ajudam a suportar o vento e o frio. Faz parte da natureza deles alimentar-se de grama, beber água e correr pelos campos. Os seres humanos vieram e alteraram tudo isso. Apararam suas crinas. Calçaram suas patas e colocaram cangalhas em seus pescoços. Assim, sob imposição desses padrões externos, os cavalos ficam limitados a um caminho estreito e não podem se desenvolver. Tais ações humanas perturbam a ordem natural das coisas. Por isso, Chuang-tzu encorajava seus alunos a não tentarem ser úteis; caso contrário, perderiam contato com sua natureza espontânea e poderiam ficar acorrentados sem perceber. A inutilidade tem sua utilidade. Libertai-vos, aconselhava Chuang-tzu.

 

RETORNO AO PRINCÍPIO

 

Se todas as criaturas da Terra, incluindo as pessoas, vivessem de acordo com sua natureza, todos iriam prosperar. Tudo é parte do Tao, expresso no modo próprio de viver de cada indivíduo. Chuang-tzu acreditava que as pessoas possuem dons e talentos individuais a serem expressos. Quando elas seguem seu curso, a natureza lhes mostra o caminho, de modo que não podem falhar. Se um problema surgir, as soluções emergirão. Retorne às suas origens primitivas em direção à sabedoria. Os problemas são apenas aparentes e, para o Tao absoluto, nascem a partir da existência relativa incorreta.

Em uma história famosa recontada por Chuang-tzu, o príncipe Yuan de Sung procurava um pintor. Ele pediu que todos os candidatos viessem ao palácio em um determinado horário do dia. Todos apareceram arrumados e na hora exata, exceto um homem, que chegou bastante atrasado, vestindo roupas casuais. Os guardas do palácio mandaram embora o estranho e inconveniente artista, e ele voltou às suas acomodações. O príncipe, no entanto, ficou curioso, queria testar o comportamento e a capacidade daquele homem, e decidiu enviar alguns mensageiros a seu quarto. Assim que os viu, o pintor tirou toda a roupa e se encolheu em um canto. Os mensageiros retornaram ao príncipe e descreveram aquele estranho comportamento.

- Trazei-o até mim – ordenou o príncipe – Este é um verdadeiro pintor.

Isso faz parte da essência da arte taoista: nua, primitiva, espontânea, sem preocupação com a decoração por meio da aparência externa ou vestimentas. Pela arte, o artista expressa seu chi individual, a força interior da vida.

Como, então, podemos aprender a seguir nossa própria natureza? A resposta de Chuang-tzu remete ao Budismo. Ele diz que a melhor técnica para encontrar o Tao é por meio da meditação, aprendendo a esvaziar nossos pensamentos e desejos. Mas o Taoismo interpreta isso de uma maneira um pouco diferente do Budismo. Ele incentiva a prática do autoesquecimento. O autoabandono nos leva à esfera do desconhecido, fazendo emergir nosso padrão interior único. Agindo espontaneamente em sincronia com esse modelo, encontramos a conduta correta. Desse modo, nossas vidas não serão mais encobertas por nada externo.

Retorne à fonte de sua vida, à base do indescritível, inexplicável e incompreensível Tao, e assim descobrirá sua verdadeira natureza.

 

 

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A IMPORTÂNCIA DOS SONHOS

 

Chuang-tzu amplia os limites do “desconhecer” para questionar nossa grande certeza sobre a consciência. Como podemos saber se estamos realmente despertos? Chuang-tzu sonhou que era uma borboleta, voando feliz e liberta. Ele conhecia apenas aquele mundo de experiências. Tudo parecia real.

Quando acordou, lembrou-se do sonho e sabia que não era uma borboleta, e sim Chuang-tzu. Mas, então, pensou: seria ele Chuang-tzu acordado, recordando seu sonho como borboleta, ou, na verdade, era apenas uma borboleta, adormecida, imaginando ser um homem acordado? Estamos mergulhados no sono ou despertos?

Para Chuang-tzu, o estado do sonho inconsciente não pode ser distinguido do estado desperto e consciente da mente. O Tao é encontrado em qualquer lugar; a qualquer hora. Por meio dos sonhos, porém, talvez fiquemos mais livres dos limites da consciência. Essas ideias foram desenvolvidas por Lieh-tzu e podem ser colocadas em uso para ajudar a desenvolver o autoconhecimento.

 

OS ÚLTIMOS ANOS

 

Quando Chuang-tzu ficou velho e descobriu que morreria em breve, seus discípulos ofereceram-lhe um grande e impressionante funeral, como forma de demonstrar o imenso respeito e amor que tinham por ele. Chuang-tzu protestou e disse:

- Terei o céu e a terra como meu caixão, o sol e a lua como meus dois símbolos de jade, e as estrelas e constelações como minhas joias. Não seria tudo isso mais do que qualquer um poderia desejar?

Os discípulos responderam:

- Mas nós tempos medo de que os corvos devorem seu corpo, mestre.

Chuang-tzu sorriu com benevolência e afirmou:

- Acima, os corvos podem devorar-me. Abaixo, as formigas e toupeiras também. Dar a esses e tirar daqueles – isso mostra apenas vossa parcialidade. Todos somos iguais sob o Tao.

Essas foram as últimas palavras de Chuang-tzu, um homem que devotou completamente sua vida ao Tao.
 

 

Fonte: Taoismo no dia a dia, C. Alexander Simpkins e Annellen Simpkins, JBC

 

 

As borboletas sonham com kabuki e bardos?

 

 

CHUANG-TZU

 

Chuang-tzu was a master

He brought home the pay

Chuang-tzu was a master

He gave it to them everyday

Stretching out and singing

 Hope he is bringing good news

Writing all his riddles

When he has got nothing else to do

 

Its a dream its a stream

Its a short story scene

Lifestyle else confused

Its a dream its a stream

Its a short story scene

Where words can be abused

 

Chuang-tzu was a master

What can he teach? Peace

Speaking down everyone

In a long drawn symphony

Talk a little faster

Words fade away

Take all meaning

Yes store for another day

 

Its a dream its a stream

Its a short story scene

Lifestyle else confused

Its a dream its a stream

Its a short story scene

Its a dying tree that cant be used

 


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