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04.12.2018
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Isentando-se das fofocas
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A fofoca é um dos mais partilhados e, muitas vezes, o mais inconsciente dos vícios. Se passar um dia observando como fala sobre as outras pessoas, reconhecerá que é um pouco compulsivo o desejo de compartilhar fatos. Talvez para ser divertido ou para aliviar a atmosfera. Talvez o seu impulso seja puramente social, uma forma de ligação com os outros. Mas quem já tentou parar de fofocar geralmente descobre que não é um hábito fácil de mudar. E isso deve significar algo sobre o porquê de as grandes tradições espirituais não se importarem com isso. Qualquer jornada yóguica ou espiritual, em algum ponto, solicitará que você observe a sua própria tendência à fofoca, para depois controlá-la.

O psicólogo evolucionista Robin Dunbar defende que o instinto de fofoca é basicamente inato em nós, e que a linguagem evoluiu porque os humanos primitivos precisavam falar uns dos outros para sobreviver como grupo social. Então, como podemos estabelecer a diferença entre uma boa fofoca e a prejudicial? E como podemos exercer a espécie inofensiva de comentários sem passar dos limites?

 

 

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BOA FOFOCA

 

A fofoca tem três importantes funções sociais. Primeiro, facilita a troca informal de informações. Dunbar observa que a fofoca é indispensável para o funcionamento das instituições. Em uma universidade, ou em um estúdio de Yoga, estudantes informalmente avaliam os professores. Quando está tentando encontrar um professor, ou conhecer uma nova pessoa, você tenta descobrir o que diferentes pessoas dizem sobre ele. Fulano é alguém com que deveria trabalhar? O que sicrano realmente pensa sobre a reunião?

Fofoca é também, para melhor ou pior, uma forma de controle social. É uma maneira de a sociedade manter membros alinhados. Se uma pessoa ou instituição se comporta de forma irregular ou sem ética, as pessoas vão falar sobre isso. Os psicólogos evolucionistas descrevem essa situação como a necessidade social de controlar os “cavaleiros livres”, isto é, aqueles que contribuem com menos do que recebem. A ideia é que o medo de as notícias se espalharem pode impedir as pessoas de abusar ou explorar o próximo.

Outra consideração é que a fofoca também pode nos dar insights sobre outras pessoas e nos ajudar a compreender as nuances do drama humano. Deus ama histórias, diz um provérbio judeu hassídico, assim como nós. Quando se fala de outras pessoas, muitas vezes você faz isso por amor ao conto e, em parte, por um verdadeiro espírito de investigação, um desejo de desvendar o mistério do outro. Por que acha que ele disse isso? O seu comportamento ensina sobre o que fazer e o que não fazer? É o jeito que ele fala às pessoas, ou ele tem algo contra mim?

 

 

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PARE DE PROPAGAR

 

Em algumas situações você tem a responsabilidade de dizer o que sabe sobre outra pessoa. Se uma mulher está saindo com um rapaz conhecido por ser um conquistador nato, ela apreciaria ter alguma informação sobre ele. Quando você sabe que uma pessoa vai trabalhar em um lugar conhecido por fraudes ou por abusar dos funcionários, você deve contar-lhe. Mas muitos contos, boatos, opiniões e até mesmo fatos não precisam ser passados a outros. Este é o ponto do preceito budista lojong. Na tradição judia há uma proibição específica contra a divulgação de informações negativas que são verdadeiras.

É o cerne da questão ética: conscientemente a maioria de nós não repetiria informações falsas sobre alguém. Mas não achamos proibido repetir a verdade, mesmo que cause danos desnecessários aos outros.  O discurso nocivo, conforme definido no budismo e em outras tradições, é qualquer coisa que você comunica sem necessidade e magoa os outros. É uma categoria bastante ampla, pois não tem sequer de usar palavras para comentar sobre erros de alguém ou fraquezas de caráter. Aquele olhar crítico que você dá nas costas de alguém. O ato sarcástico ou condescendente de elogiar: “Ele é um cara tão legal”, em um tom que transmite que a situação é exatamente a oposto.

Esse tipo de fofoca é como uma faca de dois gumes. Quando fala de alguém, mesmo se o que você diz é mais ou menos verdade, provavelmente afetará a maneira como as outras pessoas pensam sobre ele. Mas também será difícil para os outros confiarem em você. Como um provérbio espanhol diz: “Aquele que fofoca com você irá fofocar sobre você também”.

A terceira margem da fofoca negativa é o que faz à sua própria mente. As fofocas negativas deixam um sabor desagradável. Esse sabor é o efeito kármico das fofocas, e é uma indicação útil de que as suas palavras ou o tom podem causar algum dano ao tecido delicado da sua própria consciência. No nível sutil, não se pode dirigir a negatividade em relação a alguém sem machucá-lo. Mesmo aquele bate-papo sem intenção pode deixar um resíduo doloroso. Tente ler uma edição inteira dessas revistas semanais de notícias, e, em seguida, observe o estado de sentimento em sua mente. Não há uma agitação sutil, uma perturbação na sua consciência?

Uma maneira de saber se está no reino da fofoca ruim ou é compulsivo é pelo sabor que deixa para trás. O bom fofoqueiro deixa um sabor amigável. Você se sente mais perto da pessoa que está falando, mais ligada ao mundo ao seu redor. O bom fofoqueiro sente que é um informante agradável, com uma maneira de aproximar velhos amigos. Você não ficará com sentimentos de inadequação, raiva ou inveja.

 

 

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RETROCEDA O HÁBITO

 

Talvez ache que está um pouco viciado em fofoca. Se quiser mudar esse hábito, comece dando uma boa olhada na motivação que está por trás de seus impulsos. Parte da emoção das fofocas é simplesmente o prazer de ser um segredo. É reconfortante sentir que você não é a única pessoa que erra, que sofre perdas.

Falar dos outros também pode ser uma forma de evitar olhar para algo difícil em si mesmo. Nem sempre é fácil admitir, mas por trás da maioria das fofocas negativas, especialmente quando se trata de amigos, parentes ou colegas, há uma forma de ciúme. A maioria dos seres humanos tem um pouco de insegurança sobre a quantidade de abundância que está disponível no mundo. A maioria de nós também tende a se comparar com os nossos pares. É quando podemos recorrer à fofoca como uma arma política ou social para neutralizar os rivais, especialmente se sentimos que eles ocupam espaço no mundo que gostaríamos de ter para nós mesmos.

Talvez a razão mais obscura por trás da fofoca seja um desejo de ajustar as contas. O namorado te deu um fora. O professor fez uma crítica. Você tem uma briga com um amigo e está magoado, e não sente que pode esclarecer o problema falando com ele. Quando compartilha a história, é como se aliviasse um pouco da dor. Claro que conversar com um amigo sobre o desgosto pode ser algo catártico: uma razão pela qual precisamos de amigos é ter alguém que vai nos ouvir. Mas há uma linha entre a partilha de catarse e fofocas vingativas. Você sabe que atravessou essa linha quando se encontra compartilhando apenas o seu lado da história. Você não revela que ficou cochichando durante a aula do professor, ou que passou anos criticando aquele amigo que não quer mais vê-lo, ou que o seu “infiel” ex-namorado havia deixado claro quando começaram a namorar que ele não queria se comprometer em um relacionamento sério.

Em vez disso, você fornece motivações desonestas e não éticas sobre outra pessoa, faz fofocas do que ouviu dos outros, teoriza sobre suas possíveis patologias. “Ela é uma narcisista”, alguém fala sobre uma amiga que se recusou a namorar alguém. “Ele tem problemas para colocar limites”, diz um homem sobre o seu ex-professor. Fazemos isso com a intenção de compartilhar a nossa raiva e validar nossos próprios sentimentos com a pessoa com quem estamos conversando. Este é um comportamento quase infantil, mas isso não nega a sua gravidade. É o tipo de fofoca que se inicia como uma rixa, cria mal-estar nas comunidades e dissolve reputações.

 

 

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DESENVOLVENDO A CONSCIÊNCIA

 

Todos nós fofocamos e gostamos de ouvir fofocas. Mas se estiver disposto a exercer seu papel com consciência, comece a discriminar sobre como e quando se faz isso (acompanhe o vídeo abaixo). Como o vinho ou o chocolate, que pode ser bom em pequenas doses, a fofoca pode ser deliciosa, mas só quando se é honesto sobre o que está dizendo e qual o efeito dessa informação.

Obviamente você não pode cortar toda conversa sobre outras pessoas, nem precisa. Em vez disso, torne suas conversas mais conscientes, disciplinadas e comedidas. Você pode refletir sobre o porquê de às vezes se sentir obrigado a falar mal de um amigo, ou espalhar um boato que poderia causar danos. Pode olhar para o sentimento de vazio que muitas vezes se esconde por trás do desejo de preencher espaços em uma conversa com fofocas. E considerar que um dos maiores frutos da nossa prática é a capacidade de permanecer em silêncio, mesmo quando está morrendo de vontade de partilhar fofocas ou justificar sua insatisfação com um amigo.

 

 

Fonte: Prana Yoga Journal, Ed. Ago/Set 2010

 

 

Monja Coen fala como perceber e transformar os sentimentos, comportamentos e as sombras que carregamos:

 

 


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