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FILOSOFIA ORIENTAL
05.02.2019
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Brahma, o deus da criação
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Brahma, o criador do universo, nasceu de Hiranyagarbha (o núcleo dourado). Quando se formou, Brahma colocou o Hiranyagarbha de volta nas águas e inspirou a criação do universo. Cada ser vivo origina-se dele e é um aspecto de Brahma.

 

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A esposa de Brahma é Saraswati (a deusa do conhecimento superior). Quando Saraswati e Brahma se abraçam, criam o mundo. Desta forma, eles introduzem, juntos, a alma no ciclo da vida. Saraswati é a deusa da sabedoria e da ciência, a mãe dos Vedas e inventora do alfabeto devanágari. É representada como uma bela mulher com quatro braços, vestida de branco e sentada sobre um lótus branco. Como deusa das artes, ela está tocando ou segurando uma veena (instrumento de corda). Em uma de suas mãos direitas, segura um livro de folhas de palmeira, e na outra, um lótus. Em suas mãos esquerdas, mostra um fio de pérolas e um damaru (tambor pequeno).

Um dia na vida de Brahma é um kalpa, que engloba a duração de uma evolução. Cada kalpa mede quatro bilhões de anos humanos. Como Prajapati (o criador), enquanto está desperto, o mundo assume uma forma, e quando está adormecido, tudo encolhe para um núcleo em repouso. A literatura védica mais recente descreve Brahma como o criador de Soma e Surya (Sol e Lua), e dá a eles o seu lugar nos céus. Ele cria Agni (fogo), deixa Vayu (vento) livre para vagar pelo mundo e faz Varuna (água) jorrar a vida na Terra.

Não existem templos para Brahma (exceto um em Pushkar, Rajastão) como existem para Shiva e Vishnu, pois não há um rito específico para Brahma como os cultos shivas ou vaishnavas.

 

O SENHOR DA CRIAÇÃO

 

Segundo a mitologia, supõe-se que Brahma foi amaldiçoado por Shiva (por ter proferido uma mentira e pelo seu ego) a não ser reverenciado, ainda que em todos os templos de Shiva e Vishnu exista uma imagem do Senhor Brahma na parede norte, e ele seja uma das parivara devata (deidades assistentes) importantes.

 

 

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Dizem que, originalmente, Brahma possuía cinco cabeças. O Matsya Purana explica a razão disso. Ele afirma que Brahma criou uma mulher conhecida por diferentes nomes: Satarupa, Saraswati, Sandhya ou Brahmi. Devido à sua beleza, ele apaixonou-se por ela e olhou-a fixamente com desejo.

Para evitar esse olhar, ela moveu-se para a esquerda, depois para trás dele e depois para a direita. Mas uma cabeça brotava voltada para cada direção, permitindo que Brahma continuasse a vê-la. Em desespero, ela pulou no ar, e uma quinta cabeça surgiu no topo. Brahma, então, pediu-lhe que o auxiliasse a criar o universo. Ele viveu com ela por cem anos divinos, e no final destes nasceu Manu.

Existem explicações diferentes para Brahma apresentar somente quatro cabeças agora, diferentemente das cinco originais. Segundo os Puranas, Brahma e Vishnu estavam uma vez discutindo sobre quem era o superior entre os dois. Quando compreenderam que Shiva era o Ser Supremo, Brahma falou dele em tom depreciativo. Com raiva, Shiva cortou a cabeça que falara.

 

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Brahma é geralmente representado como uma deidade de quatro faces com barba, quatro braços e de cor vermelha. Carrega um rosário e um livro nas mãos superiores, um kamandal (pote de água) na mão esquerda inferior e concede a graça com sua mão direita inferior. As quatro faces representam o conhecimento sagrado dos quatro Vedas (Rig, Yajur, Sama e Atharva), simbolizando que Brahma é a fonte de todo o conhecimento necessário para a criação do universo. Os quatro braços representam as quatro direções e também a onipresença e a onipotência do Senhor Brahma. Diferentemente das outras deidades, Brahma não carrega nenhuma arma.

O rosário simboliza o ciclo do tempo pelo qual o mundo se move da criação para sustentação, da sustentação para a dissolução e da dissolução para uma nova criação. O rosário também simboliza os materiais utilizados no processo da criação. Sua posição na mão direita posterior sugere o uso inteligente desses materiais no processo da criação.

Um livro na mão esquerda posterior (simbolizando o intelecto) ilustra que o conhecimento correto é importante para qualquer tipo de trabalho criativo. Um pote de água (Kamandal) na mão esquerda anterior simboliza a energia cósmica por meio da qual Brahma coloca o universo em existência. A mão simbolizando o ego (a mão direita anterior) é mostrada no gesto de conferir a graça. Isto representa a ideia de que o Senhor concede a graça e protege todos os devotos sinceros.

A cor dourada simboliza a atividade, e por isso a face dourada de Brahma indica que o Senhor está ativo durante o processo da criação. A cor branca da barba denota a sabedoria, e o seu comprimento representa a ideia de que a criação é um processo eterno. A coroa na cabeça implica que o Senhor detém o poder e autoridade suprema sobre o processa da criação.

O lótus simboliza a Realidade Suprema, a essência de todas as coisas e seres no universo. Brahma sentado ou de pé sobre um lótus indica que ele representa o poder criativo da Realidade Suprema. A cor branca simboliza a pureza. Portanto, Brahma vestindo roupas que não são totalmente brancas representa a natureza dual da criação, isto é, a pureza e a impureza, a felicidade e a infelicidade, o vício e a virtude, o conhecimento e a ignorância, e assim por diante.

Na mitologia hindu, diz-se que um cisne possui uma faculdade discriminadora única que o capacita a distinguir o leite puro de uma mistura de leite e água. Por isso, o cisne é usado para simbolizar o poder do discernimento. Brahma utiliza o cisne como veículo. Isso pretende representar a ideia de que, embora a criação seja pluralística em sua natureza, existe somente uma Realidade Suprema da qual emana o universo inteiro. Esse conhecimento pode ser adquirido por um indivíduo que treine sua mente e seu intelecto para adquirir o poder de discernimento.

Como a criação é o trabalho da mente e do intelecto, o Senhor Brahma representa a Mente Universal. Do ponto de vista de um indivíduo, Brahma simboliza seu próprio pensamento. Como um indivíduo é naturalmente dotado desse poder de reflexão, pode-se dizer que ele já concebeu Brahma. Também por esta razão, a adoração a Brahma não é muito popular. Ele é, entretanto, venerado pelos que buscam conhecimento, como estudantes, professores, eruditos e cientistas.

 

TEMPLO BRAHMA DE JAGAT

 

O templo Brahma de Jagat, o único em funcionamento na Índia dedicado ao Senhor Brahma, criador do universo, encontra-se em Pushkar, uma pequena cidade na fronteira do deserto do Rajastão. Segundo o Padma Purana, foi ali que Brahma matou um demônio com uma flor de lótus. As pétalas da flor caíram em três pontos, de onde emergiram lagos. Como a pushpa (flor) caiu da kar (mão) de Brahma, o lugar recebeu o nome de Pushkar. Os lagos estão localizados em um raio de 10 quilômetros. A Antiga Pushkar, onde estão localizados os hotéis, é considerada o lugar mais sagrado, porque as pétalas do lótus caíram primeiro ali. A Pushkar Média situa-se a 3 quilômetros de distância e possui um pequeno templo dedicado a Hanuman e uma árvore baniana de 200 anos. A Nova Pushkar, 3 quilômetros ao norte, possui um pequeno templo dedicado a Krishna.

Acredita-se que se banhar no lago Pushkar na Kartika Purnima (o dia da lua cheia entre os meses de outubro e novembro) confere a salvação. Diz-se que o benefício total do banho no lago Pushkar ocorre durante os últimos cinco dias do mês de Kartika. Segundo o folclore, aqueles que se banham nessa época são libertados de todos os pecados e irão ao céu quando deixarem seus corpos. Também se acredita ser especialmente venturoso realizar o parikrama (andar em torno) das três Pushkars (16 quilômetros) no Kartika Purnima. Gaya Kund, próximo da Nova Pushkar, é onde as pessoas realizam o puja (cerimônia de adoração) para a salvação dos seus ancestrais.

 

 

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Prosseguindo com a lenda, Brahma resolveu realizar, em Pushkar, um yajna (rito de sacrifício) sagrado. Ele deveria realizá-lo junto a sua esposa, Saraswati. Na hora marcada para o yajna, Saraswati atrasou-se porque estava esperando suas acompanhantes. A hora era tão auspiciosa que Brahma não poderia deixar passar o momento sem o yajna pretendido. Pediu então a Indra que encontrasse uma moça adequada para sentar-se ao seu lado como sua esposa durante o rito. Indra trouxe Gayatri. Brahma casou-se com ela e aproveitou a ocasião. Nesse momento, Saraswati chegou, viu Gayatri no seu lugar e ficou profundamente zangada. Saraswati amaldiçoou Brahma, dizendo que ele só poderia ser adorado em Pushkar. Saraswati então retirou-se para Rathkagir, uma montanha no sul de Pushkar, onde existe um templo dedicado a ela.

Degraus de mármore conduzem ao templo de Brahma, onde uma tartaruga de prata está gravada em relevo no chão, voltada para o altar. Em torno da tartaruga, um piso de mármore incrustado de centenas de moedas de prata, tal qual as paredes do templo. Imagens do pavão, o veículo de Saraswati, esposa de Brahma, adornam as paredes do templo. Brahma é aqui mostrado em tamanho natural, com quatro mãos e quatro faces voltadas para quatro direções diferentes. Um hans (cisne, montaria oficial de Brahma) atravessa o portão para o templo, que é coroado com uma ponta vermelha. Estátuas de Gayatri e Saraswati encontram-se, respectivamente, à esquerda e à direita da imagem de Brahma.

 

MANTRA PARA CLAREZA ESPIRITUAL

 

Recite esse mantra a Brahma, o Criador, para alcançar o entendimento dos mistérios da manifestação da criação. Por meio da recitação desse mantra, os segredos do Universo ficam acessíveis a você:

 

Sat Chid Ekam Brahma

 

Eis os significados das várias palavras no seu contexto energético: Sat: verdade; Chid: aspecto espiritual da mente; Ekam: único, sem a existência de outro; Brahma: todo este cosmos com tudo o que ele contém.

 

O mantra seguinte é uma versão mais extensa do mantra anterior:

 

Om Eim Hrim Shrim Klim Sauh Sat Chid Ekam Brahma

 

Om é um prefixo que faz parte de muitos mantras. Ele representa a energia do chakra Ajna, o da fronte, onde as energias masculina e feminina se unem e a consciência se torna una e holística.

Eim é o som seminal do princípio feminino conhecido como Saraswati. Esse princípio governa tanto o conhecimento espiritual como as atividades de educação, ciência, artes, música e a disciplina espiritual.

Hrim é o som seminal de Mahamaya, ou o véu da criação. Diz-se que a meditação com a mente focalizada neste som acaba revelando ao praticante o universo “como ele é” e não como o vemos comumente. Isso ocorre porque a realidade como a vemos não passa de uma “convenção” entre todos nós, que foi passada de geração em geração. Os bebês, se pudessem se expressar, falariam do universo de uma maneira bem diferente. Eles acabam assimilando o que a humanidade “convencionou” e vivendo neste mundo de acordo com essas convenções.

Shrim é o som seminal do princípio da abundância. Nela incluem-se alimentos, amigos, família, saúde e inúmeras outras coisas. E também, é claro, a prosperidade.

Klim é um som seminal com muitos significados. Nesse contexto, está referindo-se ao princípio da atração. Nesse mantra, está atraindo o fruto dos outros princípios para acelerar o processo meditativo do mantra.

Sauh é um princípio espiritual que atua através de uma das pétalas do chakra Ajna. É também um som que ativa Shakti.

 

 

Fontes: Deuses e Deusas Hindus, Sunita Pant Bansal, Nova Era / Mantras que Curam , Thomas Ashley-Farrand, Pensamento

 

 

Medite ao som de Brahma Nandam na voz de Deva Premal:

 

 

BRAHMA NANDAM

 

Brahma nandam parama sukhadam

Kevalam jnayana murtim

Dvandvateetam gagana sadrisham

Tatvamasyadi lakshyam

Ekam Nityam vimalamachalam

Sarvadhee sakshi bhutam

Bhava-teetam Triguna-rahitam

Tam Sadgurum namami

 

 

TRADUÇÃO

 

Saudações ao guru interior

Que é a personificação de puro deleite

Que é o doador da felicidade suprema

Que está além das dualidades deste mundo material

Que é tão infinito como o céu

Que é a única aspiração e meta de vida

Que é único, eterno, puro, inabalável

Que vê com os olhos da sabedoria

Quem está além das emoções e além dos três gunas*

 

*aspectos de nossa natureza vinculativa: Sattva (felicidade), Rajas (instinto animal) e Tamas (letargia)

 


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