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BUDISMO
22.01.2019
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Cinco Budas da Meditação
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Um dos conceitos básicos do Budismo Vajrayana (budismo tântrico tibetano) é o de “Buda Primordial”, ou Adibuddha (Dangpoy Sanggyas, em tibetano). O Buda Primordial é a divindade suprema, a fonte não temporal de todos os Budas e do Dharma e a personificação de prajnya (sabedoria, discernimento ou compreensão).

 

BUDA VAJRADHARA

 

Na tradição Vajrayana, o Adibuddha geralmente é chamado de Vajradhara (“O Portador de Vajra”), um ser que existe na dimensão de Dharmakaya (“Corpo Dharma”), a mais alta forma de existência*. Considerado como a fonte dos ensinamentos tântricos, Vajradhara também é o protótipo e símbolo da “natureza do Buda” (Tathagathagarbha), a potencialidade do estado búdico, latente em todos os seres humanos. Descobrir a própria natureza búdica – a verdadeira natureza de cada um – é o objetivo da prática tântrica.

 

 

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Iconograficamente, o Adibuddha é identificado pelo gesto característico das mãos cruzadas, símbolo da dualidade e indivisibilidade de sabedoria e vazio. Na mão esquerda, ele segura o vajra ritual, na direita, o sino. Entretanto, apesar da representação em forma humana e da grande veneração que lhe é dedicada, é importante lembrar que o Adibuddha Vajradhara é apenas uma personificação da totalidade dos ideais contidos no pensamento Budista. O Adibuddha é venerado nas várias escolas do Budismo tibetano, embora seja concebido de maneiras diferentes.

 

* O bodhisattva ideal do Budismo Mahayana – fazer a árdua jornada para se tornar um Buda com o objetivo de ajudar todas as criaturas que sofrem – encontra sua expressão na noção tibetana de tulku ou lama reencarnado. Esse conceito se baseia no ensinamento Mahayana dos “Três Corpos” (Trikaya). A metafísica Mahayana considera que um Buda existe em três diferentes dimensões. Num nível mais elevado, um Buda existe como Dharmakaya (“Corpo Dharma”, em sânscrito), inseparável de seu ensinamento sobre a verdade definitiva a respeito das coisas. Em outra dimensão, o Buda possui um sambhogakaya, ou “corpo físico celestial”, que habita uma “Terra Pura” paradisíaca e prega a um grande séquito de bodhisattvas avançados. Em terceiro lugar, há um nirmanakaya, um “corpo físico mortal” que, como o Buda Shakyamuni histórico, vive no mundo comum.

 

OS CINCO BUDAS DA MEDITAÇÃO

 

Objetos de profunda veneração são também os cinco “Dhyani Buddhas”, ou “Budas da Meditação”, um grupo de serenos Budas celestiais visualizados na meditação. Compreender essas figuras é uma chave para o simbolismo da mandala e também do monumento-relicário conhecido como stupa (chorten, em Tibetano). Cada Dhyani Buddha é associado a um som básico, ou “sílaba-seminal”, que representa sua própria essência, e do qual ele se manifesta, e está ligado a uma das cinco cores simbólicas. Os Budas são conhecidos também como chefes das “Cinco Famílias Búdicas”, a fonte de todas as outras divindades. Cada família é formada por um grupo de divindades que emanam do Buda. Assim, Avalokiteshvara, o boddhisattva da compaixão, é uma emanação do Buda Amitabha.

 

 

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A Mandala dos Cinco Budas é o modelo para as mandalas de todas as outras divindades.

 

 

 

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O principal Buda da mandala é o primeiro dos Budas celestiais, Vairochana (“Radiante”) que, sob vários aspectos, corresponde ao Adibuddha. Vairochana se manifesta a partir da sílaba branca om e aparece no centro exato da mandala, sentado num trono de lótus. Ele é a pura luz da consciência (vijnana) e dele se manifestam os outros Budas.

 

 

 

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O segundo Buda é Akshobya (“Impassível”), que vem da sílaba azul hum. Akshobya preside o reino corpóreo da forma (rupa) e se manifesta na parte leste da mandala.

 

 

 

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O seguinte é o Buda Ratnasambhava (“Nascido da Joia”) que nasce da sílaba-seminal amarela tram. Ele representa o sentimento (vedana) e ocupa a posição sul na mandala.

 

 

 

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A oeste está o Buda Amitabha (“Radiância Infinita”), que emerge da sílaba vermelha hrih. Amitabha é considerado o Buda da percepção e do discernimento (samjna) e aparece sentado num trono de pavão com as mãos em posição de meditação e segurando um vaso que contém o “néctar da imortalidade”. O Buda Amitabha é venerado em todo o mundo budista Mahayana tradicional, da Índia ao Japão. Acredita-se que ele reina em Sukhavati (“A Terra do Êxtase”), um paraíso ou céu ocidental em que tudo é radiante – ali não existe escuridão nem noite. No Sutra Sukhavativyuha, uma obra que é a fonte da sua popularidade, Amitabha aparece na forma do Buda Amitayus (“Vida Infinita”). Amitayus é associado à “iniciação da longa vida”, um ritual de grande importância no Budismo tibetano. Essa iniciação, acredita-se, prolonga a vida do iniciado, assim como memorizar os 108 nomes de Amitayus.

 

 

 

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Finalmente, ao norte da mandala, está o Buda Amoghasiddhi, cuja sílaba-seminal é a verde kham. O domínio de Amoghasiddhi é a esfera de tendências ou disposições kármicas (samskaras).

 

Cada um desses Budas aparece na cor da sua sílaba-seminal e representam um dos cinco elementos (skandhas, literalmente “agregados”) da personalidade humana: consciência (vijnana), forma (rupa), sentimento (vedana), percepção ou discernimento (samjna) e tendências kármicas (samskaras). Cada um desses elementos, segundo o caminho tântrico, precisa ser purificado de todas as forças kármicas negativas, ou “doentias” e transformados em forças de sabedoria e compaixão. Não se chega a isso pela simples supressão da qualidade negativa: é preciso identificar ativamente essa qualidade e transformá-la em sua contrapartida positiva, ou “salutar”. O progresso do meditador no caminho depende da sua capacidade de reconhecer e transformar esses elementos. Os cinco Buddhas representam os elementos da personalidade humana em sua forma purificada e simbolizam a superação da negatividade pela compreensão e pela sabedoria.

 

VISÕES DO SUPREMO

 

Para a escola Gelukpa, o Adibuddha é Vajradhara, a fonte suprema de ensinamentos do Kalachakra Tantra. Vajradhara é igualmente reverenciado, pela escola Kargyudpa, como o Professor Primordial (Adiguru) e a fonte dos ensinamentos tântricos de Mahamudra.

Na escola Nyingma, o Adibuddha é chamado de Samantabhadra, a personificação suprema de todos os Budas. Sua cor é o azul e ele aparece despido de joias e roupas, o que indica sua liberdade com relação a propriedades ou atributos – ele está além de conceitos ou da linguagem. Samantabhadra preside as divindades que habitam o mundo do Livro Tibetano dos Mortos. Ele é representado em união sexual (yab yum) com sua consorte, que tem a cor branca e é igualmente destituída de atributos.

A divindade Vajrasattva é respeitada em algumas escolas como manifestação do Adibuddha. Essa divindade é considerada um Buda sambhogakaya e não um Buddha Dharmakaya, que é uma forma superior. No entanto, Vajrasattva é extremamente importante na sua forma tântrica, em que também aparece em união sexual com sua consorte (imagem abaixo). Nesta forma, ele é o criador das mandalas e de todas as divindades tântricas. Ele é adorado especialmente como purificador da poluição emocional e é uma figura central em muitos rituais tântricos de purificação.

 

 

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Fonte: O Livro Tibetano da Vida, da Morte e do Renascimento, John Peacock, Pensamento

 

 

Acompanhe uma meditação com os bija-mantras dos Cinco Budas da Meditação:

 

 

Om Vairochana Om

 

Om Akshobhya Hum

 

Om Ratnasambhava Tram

 

Om Amitabha Hrih

 

Om Amoghasiddhi Ah

 

Om Hum Tram Hrih Ah

 


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