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09.04.2019
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Reveladora velhice
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A velhice pode ser muito difícil, com muitas dores e sofrimento, mas também pode ser uma apreciação da vida em uma fase diferente, na qual se anda um pouco mais devagar, tem-se de prestar mais atenção aos passos e às ruas por onde passamos, prestar um pouco mais de atenção inclusive a com quem falamos e como falamos (porque já aprendemos que tudo o que se fala tem um retorno). O capítulo 11 do Dhammapada, o “Nobre Caminho do Darma de Buda”, reflete sobre a velhice: “Pode haver zombaria e euforia quando o mundo arde continuamente, envolto em trevas; não deverias buscar a luz?”.

Em vez de buscarmos essa luz, buscamos coisas menores. O tempo está passando. “Repara nesta imagem adornada, um corpo de sofrimento em um monte de ossos, enfermo, tomado de pensamentos, no qual não há permanência nem estabilidade”. Sim, somos nós, seres humanos, de quem Buda está a falar. Nosso corpo pode enfrentar muitos sofrimentos e dificuldades, com todos esses ossos cobertos por essa pele, e músculos, e tendões, mas, se estiver cheio de pensamentos errôneos, vai nos afastar da nossa verdadeira saúde. “Não há permanência nem estabilidade”, o que se é neste momento não é permanente nem fixo daqui a um segundo estará diferente, assim como você. Não se agarre a determinado comportamento com a desculpa do “eu sou assim mesmo”. Só os tolos usam esse recurso.

 

OS QUATRO CAVALOS

 

Shakyamuni Buda comparava os seres humanos a quatro tipos de cavalo. O primeiro cavalo é aquele que só de ver a sombra do chicote começa a galopar. Ou seja, é a pessoa que quando vê a sombra da velhice, da doença, começa a entrar no Caminho, a andar firme e forte para a frente, sem ficar parado, reclamando, resmungando. É aquele que ouviu falar da morte de alguém distante, por exemplo, e que é capaz de refletir sobre isso. Morreu lá longe, em outro país, uma pessoa desconhecida, mas aquela tragédia já serve para fazê-lo lembrar e refletir sobre a transitoriedade da vida, sua brevidade, a importância daquele instante na vida e sobre aquilo que o faz apreciar a existência, cuidando.

O segundo tipo de cavalo é aquele que precisa levar uma chicotada, ainda que de leve, para começar a andar. Por exemplo, morre alguém que você não conhece, mas morre de repente, jovem. É o gatilho para você pensar que também vai morrer e que também pode ser de repente. Só então passa a se perguntar como viver a vida com respeito e levar essa existência de modo que quando chegar o momento possa adentrar o mundo da morte sem culpa nem remorso. Um acontecimento fez lembrar da Verdade e do Caminho.

O terceiro cavalo é o que precisa ser chicoteado com força. Golpe forte que machuca e corta a carne. Ou seja, é a pessoa que só acorda para o Caminho quando o sofrimento está muito perto. Um filho que morre ou é preso, alguém muito próximo que adquire uma doença muito grave. Só a partir daí a pessoa começa a “galopar” em direção à Verdade, à compreensão mais profunda do significado da existência, da vida e da morte. Só então ela chega à percepção dessa interconexão de tudo o que existe, dessa trama de causas, condições e efeitos e de que tudo o que se faz mexe na trama da vida assim como todos movem essa trama. E só depois passa a refletir sobre como pode inspirar e provocar pessoas a viver de forma mais digna, mais ética e mais feliz. Muitos de nós precisamos dessa chicotada.

O quarto cavalo é aquele que só vai mesmo se o chicote cortar a carne, chegar ao osso. É a dor mais profunda que pode haver, que é quando acontece com a própria pessoa. Ela precisa de um golpe muito forte na vida para começar a apreciá-la. Um acidente que a condena à cadeira de rodas, um diagnóstico de doença terminal ou outro acontecimento grave. Só então começa a aceitar a vida como ela é. Só assim para sair do que Buda chama de dukkha (insatisfação) e passar a aceitar os fatos como eles são para finalmente poder transformá-los com a ação correta, com a intenção correta, com vitalidade e respeito.

 

 

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SÁBIA IMPERMANÊNCIA

 

O ser sábio percebe que está em um processo de transformação, que não há nada fixo nem permanente. Apreciemos essa impermanência. Não queiramos que continue como sempre foi, porque não tem um “sempre foi”, cada instante é novo. “Este corpo”, diz Buda, “paulatinamente enfraquece, pode se tornar um ninho de doenças. O corpo é perecível. Este aglomerado pode se decompor”. Vai se decompondo aos poucos, não é? Na morte, o corpo se desfaz. Mas como nos apegamos a ele! A questão é que nós somos esse corpo. Não existe um algo separado do meu corpo que seja o “eu”. Nós estamos vivendo essa realidade desse corpo físico e temos de cuidar dele. No entanto, cuidar dele não significa se apegar extremamente a ele, apenas querendo sentir os prazeres, pensando só na maquiagem, na roupa, na boa impressão superficial que dá aos outros. Existe uma beleza muito mais profunda, uma beleza interna, que independe da maquiagem ou da roupa, e é esse lugar que você pode acessar. O fato de envelhecermos e morrermos nos faz apreciar esse momento. Sem reclamações e compensações. “Ah, já que vou morrer e ficar idoso, vou fazer o que quero, do jeito que eu quero.” Não. Tudo o que se faz com respeito e dignidade gera respeito e dignidade para essa vida, para a própria velhice, para a própria morte e para outras vidas.

Buda ainda dizia “que prazer existe em olhar esses ossos esbranquiçados quais cabaças secas espalhadas ao sol de outono”. Ele recomendava aos monges e aos praticantes que fossem meditar nos cemitérios, nos lugares onde estavam as ossadas humanas, para que se lembrassem do que nós somos, para que se livrassem de apegos e aversões, porque os grandes problemas e os nossos sofrimentos vêm de apegos e aversões. Apegamo-nos a um estado de bens e situações agradáveis que podem mudar, apegamo-nos a pessoas e temos medo de perdê-las, apegamo-nos a sonhos que não realizamos, além de lamentarmos e reclamarmos. Então, qual é o Caminho? “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Todos conhecemos esse ditado. Você o pratica? Não deu certo por aqui, por onde será? Não desista. Não existe desistência nesta vida, existe o procurar pelo Caminho certo, o abrir esse Caminho.

 

 

Fonte: Zen para Distraídos – Princípios para viver o presente com harmonia, Monja Coen e Nilo Cruz, Academia

 

 

Mergulhe na poesia existencial de Caetano Veloso:

 

 

O HOMEM VELHO

(Caetano Veloso)

 

O homem velho deixa a vida e morte para trás

Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais

O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais

O homem velho é o rei dos animais

 

A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol

As linhas do destino nas mãos a mão apagou

Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll

As coisas migram e ele serve de farol

 

A carne, a arte arde, a tarde cai

No abismo das esquinas

A brisa leve traz o olor fulgaz

Do sexo das meninas

 

Luz fria, seus cabelos têm tristeza de néon

Belezas, dores e alegrias passam sem um som

Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron

E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom

 

Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval

Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal

Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual

Já tem coragem de saber que é imortal

 


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