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FILOSOFIA ORIENTAL
30.04.2019
Lao-tzu e o caminho do Tao
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Os historiadores vêm tentando distinguir o fato da ficção na história do desenvolvimento do Taoismo. Há alguns consensos sobre como essa filosofia adquiriu sua forma atual e quem foram suas figuras mais importantes. Mas, devido às diferenças nas tradições históricas e à própria natureza do Taoismo, muito ainda permanece desconhecido.

Lao-tzu (604 a.C.), autor lendário do famoso livro Tao Te Ching (“Clássico do Caminho e Sua Virtude”), teve uma vida envolta em mistério. De acordo com a lenda, ele foi concebido no momento em que sua mãe admirava uma estrela cadente. Desenvolveu-se em seu útero por 62 anos. Um dia, ela estava descansando sob uma ameixeira, quando deu à luz um homem já adulto, com cabelos brancos e orelhas grandes (um símbolo de sabedoria). Foi ele mesmo quem se deu o sobrenome Li (“ameixeira”) e proclamou que seu primeiro nome seria Erh (“orelha”). Muitos livros referem-se a ele como Li Erh, ou Lao Tan, mas Lao-tzu (muitos o conhecem como Lao-tsé) é o mais comum, que significa “velho mestre”.

 

UMA VIDA CERCADA DE MISTÉRIOS

 

A mais antiga menção à vida de Lao-tzu está nos “Registros do Historiador”, de Ssu-ma Ch’ien. Consta no livro que Lao-tzu era um nativo do vilarejo de Ch’u-jen – aldeia de Li –, no estado de Ch’en, que em 479 a.C. tornou-se parte do estado de Ch’u. Tanto Lao-tzu quanto Confúcio viveram nessa região. Ele trabalhava na capital de Loyang como guardião dos arquivos da Corte Real de Chou. Essa posição lhe dava acesso aos textos clássicos mantidos nos arquivos reais, semelhantes a uma biblioteca. Por isso, havia se familiarizado com as tradições do imperador Amarelo (2697 a.C.) e com todos os grandes trabalhos da época. Lao-tzu era cerca de 50 anos mais velho que Confúcio – este, segundo a lenda, teria se consultado com ele.

O famoso encontro entre eles foi descrito por Ssu-ma Ch’ien. Confúcio teria pedido a Lao-tzu uma orientação sobre os ritos de comportamento. E este lhe respondeu: “Um homem pode ter todas as características externas de um cavalheiro quando os tempos são bons. Mas, se enfrentar tempos difíceis, derivará como o vento. Um verdadeiro cavalheiro esconde suas riquezas; o homem de virtudes superiores tem a aparência de um tolo! Joga fora todos os seus rituais arrogantes! Nenhum deles tem qualquer relevância para seu verdadeiro ‘eu’. Esse é meu conselho para ti!”. Confúcio ficou impressionado e disse: “O dragão está acima do meu conhecimento; ele ascende em direção ao paraíso, sobre as nuvens e o vento. Hoje eu vi Lao-tzu, e ele é como o dragão!” (Kaltenmark 1969, 8).

 

 

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A tradição diz que Lao-tzu se casou e teve um filho chamado Tsung, que se tornou um soldado famoso. Muitas gerações posteriores remetem suas raízes a Lao-tzu. Verdade ou não, isso atesta o fato de que ele teve uma grande importância simbólica na história da China. Acredita-se que Lao-tzu nunca fundou uma escola formal, mas, mesmo assim, os estudantes o procuravam, e ele teve muitos discípulos leais. Porém, sentia-se frustrado com a decadência moral da sociedade ao seu redor. A rotina na cidade não permitia que ele vivesse em harmonia com suas crenças taoistas. No auge de seus 160 anos, ele decidiu deixar a civilização e mudou-se para o oeste inabitado, onde passou a viver como eremita.

Lao-tzu iniciou sua viagem atravessando os portões da cidade. O guardião o reconheceu imediatamente e implorou para que deixasse algum registro de sua sabedoria. Como resposta, Lao-tzu compôs um livro de cinco mil caracteres, conhecido hoje como Tao Te Ching. O guardião ficou tão comovido com o conteúdo que decidiu acompanhar Lao-tzu. Os dois desapareceram juntos e nunca mais foram vistos. Uma lenda diz que Lao-tzu reapareceu na Índia para converter Buda. Outra história afirma que Lao-tzu era Buda!

Quando se trata de Lao-tzu, os fatos se fundem aos mitos. Pesquisadores têm questionado ao longo dos anos se ele é o verdadeiro autor de Tao Te Ching, e até mesmo se realmente existiu. A dificuldade em verificar os fatos de sua vida talvez se deva à antiga crença chinesa de que não era honrado uma pessoa escrever sua autobiografia. De acordo com a tradição, seria melhor esperar até a morte e torcer para que alguém o fizesse!

Lao-tzu teve seu status elevado pelas gerações posteriores. Alguns taoistas o consideram uma divindade, construindo até templos em sua homenagem. Na verdade, Lao-tzu era profundamente místico. Ele acreditava que o Tao é a fonte, o eixo do universo. A natureza interior do mundo é misteriosa, anterior a nomes e formas. Aquilo que for nominável não pode ser o Tao.

 

A ESSÊNCIA DO TAO TE CHING

 

Nenhum livro além da Bíblia tem sido mais lido e traduzido que Tao Te Ching. O que atrai tantas pessoas a essa escritura enigmática são os significados profundos que podem ser extraídos de suas palavras. O livro expressa a essência da filosofia taoista antiga. Composto de capítulos curtos e poéticos, suas palavras, escritas em caracteres chineses antigos, contêm diversas hipóteses de interpretações. Assim, cada tradutor se torna um intérprete, com uma variedade aparentemente infinita de entendimentos, embora possamos captar a ressonância de temas significantes que ecoam por toda parte. Como uma melodia mística transposta em diferentes notas musicais, os princípios taoistas podem ser ouvidos por muitas e muitas vezes.

O Tao Te Ching é divido em duas partes. Uma é sobre o Tao, a misteriosa unidade que guia tudo e todos, e a outra abrange o Te, o poder conquistado ao seguir o Tao, em um total de 82 capítulos. O livro aponta para o caminho taoista e mostra como ele nos leva a uma vida satisfatória. Lao-tzu escolheu expressar o Tao por meio de versos ambíguos e poéticos, para que pudessem despertar a intuição da unidade em seus leitores. Ele não pretendia ensinar seus conceitos com palavras claramente definidas, pois elas escondiam o Tao. Para Lao-tzu, a essência não deve ser transmitida ou refletida com palavras. Esse seria o melhor caminho, pois, quando algo está escondido, pode ser revelado. A comunicação envolve muito mais do que palavras.

 

 

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O Tao Te Ching expressa conceitos que se inter-relacionam sistematicamente para dar base e significado a uma compreensão maior. Os eventos do mundo real são resultados de forças que criam a partir de uma corrente de reações iniciadas por energias opostas. Mesmo que surja um padrão, ele desaparece, pois “ser” e “não-ser” são apenas aspectos originados mutuamente.

O Tao é ilimitado, embora vazio. Mas é a partir do vazio que surge a utilidade. Imagine um copo: é o espaço oco em seu interior que o torna proveitoso – caso contrário, jamais poderia ser preenchido. O Tao é a fonte, onde a própria natureza está enraizada. Tudo o que conhecemos no mundo vem do Tao, expresso por yin e yang. Assim, necessariamente, tudo o que fazemos cria seu próprio oposto. As situações da vida aparentam ser uma via única, mas logo afirmam sua natureza dúbia. De acordo com Lao-tzu, para obtermos êxito na vida, devemos permitir que esse equilíbrio ocorra. Os sábios encorajam o desprendimento dos desejos em excesso pregando a simplicidade.

A sabedoria está em não enfrentar. Quando deixamos as coisas acontecerem, as circunstâncias deixam de ser um problema para seguir seu curso natural. Dessa forma, a resistência contra as forças naturais diminui. Tudo é guiado por seus próprios padrões de atividade e passividade. Yin e yang representam a polaridade natural que surge inevitavelmente. A sabedoria é encontrada no silêncio, na calma, no “deixar rolar”. Os sábios permitem a manifestação do Tao ao encorajar o natural. Sensível à natureza interior do “eu” e do “outro”, o caminho de Lao-tzu nos guia ao longo do mistério e nos faz retornar ao âmago da vida.

 

 

Fonte: Taoismo no dia a dia, C. Alexander Simpkins e Annellen Simpkins,  JBC

 

 

Acompanhe a canção “O Sábio”, baseada nos ensinamentos do Tao Te Ching, na voz de Sganza:

 

 

O SÁBIO

(Pablo Sganzerla)

 

O sábio nada deseja

Então não há o que lhe falte

Vive satisfeito diante do que a vida lhe der

O sábio nada acumula

Por isso não há o que perder

Vive com simplicidade, logo tem tudo que quer

 

O sábio nada pergunta

Com isso tem toda resposta

Vive sem julgar o outro pra se conhecer melhor

 

Evita todo excesso de quantidade, e medida

Justo, verdadeiro, vive o caminho em si

A todo momento, em todo lugar

Vive sem se separar do todo, do tao

 

O sábio vem mostrar

Ensina sem nada dizer

Onde podemos chegar

 

O sábio vem mudar

Caminha sem se mover

E chega onde quiser

 


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