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07.05.2019
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Relacionamentos. Entrega. Amor.
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Três textos tocantes de Monja Coen sobre a vida, o amor, a amizade, a família, o aprendizado, a transformação...

 

 

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Juliana voltou da praia cansada. Tomou um coco gelado, comeu umas frutas e se deitou no sofá. Luciana estava no banho. Teria notado que a magoara? Agora tudo parecia longe, distante. As ondas do mar haviam levado e lavado as faltas e os pecados do mundo.

“Está dormindo, Ju?” E Luciana foi se chegando. Também cansada. “Sabe, outro dia, Ju, desculpe, falei o que não devia. Gosto tanto de você, mas acho que tenho até um pouco de inveja – por isso falo besteiras. Vou me cuidar. Você me perdoa? Você me aceita assim tola?”

Juliana não se moveu. Era como se Luciana houvesse escutado sua mente. “Tô de boa, Lu. Deixa pra lá.”

“Inveja de mim? Por quê? Pelo apartamento que herdei? Nossa, meus pais morreram num acidento feio de avião. Meu irmão ficou tetraplégico e foi morar na Suíça. Moro aqui tão sozinha. Pessoas se aproximam para tirar vantagem. Meu programa de televisão está perdendo audiência. Preciso estudar mais para terminar o curso – e deixar de faltar. O Cauê foi embora. Resolveu dar a volta ao mundo surfando. O computador pifou. Só o celular me conecta com o mundo. Ufa, inveja de quê?”

Sem querer, essa última frase saiu em voz alta. Luciana se virou para a amiga e disse: “Você é linda, rica, tem apartamento, um programa de TV para adolescentes. Você é um grande sucesso. Eu sou ninguém”.

Juliana se levantou vagarosamente e se sentou segurando a cabeça com as duas mãos. A brisa do mar era como um afago.

“Olha, Lu, a primeira estrela. Vamos fazer um pedido?”

“O que vamos pedir?”, quis saber Luciana.

De mãos-dadas, de olhos cerrados, murmuraram juntas: “Que nada jamais destrua nossa amizade”.

Anos e anos se passaram. Juliana agora é avó de cinco netos e três netas. Sentada naquele mesmo sofá, sozinha no apartamento antigo, vê a primeira estrela da noite. Lembra-se de Luciana. Por onde andaria?

A campainha da porta toca. Luciana entra na sala. “Olha, Lu, a primeira estrela. Vamos fazer um pedido?”

E as duas senhoras, sentadas lado a lado, dão-se as mãos, fecham os olhos e murmuram juntas: “Gratidão”, enquanto uma suave gota do mar desliza entre suas rugas marcadas.

 

Quando percebemos nossos sentimentos e nossas emoções, quando conseguimos verbalizar o que sentimos, os libertamos. A verdadeira amizade permanece sem recalques, sem segredos. Na confiança de perceber e de compreender sem julgar.

 

 

 

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Uma vez me convidaram a fazer uma palestra em uma escola particular para alunos e alunas do ensino médio. O grupo era ativo e energizado, como são os adolescentes bem alimentados e bem treinados. Ao final da palestra, uma jovem de 16 anos pediu para falar em particular comigo: “Por favor, me ajude. Meu pai, um empresário importante, recentemente começou a falar mal da família da minha mãe. Que minha mãe não serve para nada, que minha tia é tola, que minha avó é chata. Coisas assim. Eu amo meu pai, mas também amo minha mãe, minha tia, minha avó. O que devo fazer?”.

Refleti alguns instantes antes de responder. O que estaria acontecendo nessa família? Por que, de repente, o marido começaria a ver defeitos na família da esposa? Perguntei à jovem: “Sua mãe já conversou com ele sobre isso?”. Ela respondeu que sim e que não adiantara nada. Ele continuava ofendendo a família da esposa com sua língua ferina. “Então, fale você com seu pai”, decidi. “Meu pai é um homem muito importante e ocupado. Não posso falar com ele assim.” “Pois faça um esforço”, disse eu. “Pergunte a ele o que o está incomodando. Estaria com problemas financeiros? Homens foram treinados a ser provedores. Quando ocorrem problemas financeiros, ficam muito nervosos, irritados. Se for isso, diga a ele que você se propõe a trabalhar e ajudar a manter a casa. E, se não for questão financeira, pergunte se ele está se interessando por outra mulher. Muitas vezes, quando uma pessoa encontra outra com quem queira se relacionar, começa a procurar defeitos em seu companheiro ou companheira para justificar seu interesse. Fale com ele”, insisti.

Alguns meses se passaram e fui novamente convocada a falar nessa mesma escola. Ao final de nosso encontro, a mesma jovem se aproximou e, de mãos postas, me agradeceu: “Fiquei com medo de falar com meu pai, mas me enchi de coragem e uma noite o abordei. Ele me ouviu comovido e, desde então, nunca mais ofendeu minha mãe e nossa família. Agradeço muito seu conselho”.

Não lhe perguntei as razões de seu pai. Talvez ele não tenha dado maiores explicações. Mas o fato de a jovem ter pedido ao pai que não ofendesse sua família, propondo-se a estar ao seu lado e ajudá-lo, sem dúvida evitou situações de desgaste emocional para todos.

 

A maneira como falamos e a escolha do momento certo para falar podem ocasionar mudanças nos relacionamentos humanos. A fala amorosa e verdadeira pode causar impacto. A fala que reclama, insulta, exige só provoca maiores desagravos e desentendimentos. Se cada pessoa for capaz de observar a si mesma, em vez de exigir dos outros, poderá causar transformações mais profundas e sutis nos seus relacionamentos individuais e sociais. Observe como você está se comportando, falando, pensando. Procure desenvolver um olhar de compreensão e ternura – como o da jovem em relação a seu pai e sua família. Fale amorosa e verdadeiramente, no momento correto, e se surpreenda. O que parecia impossível se torna possível e a harmonia se restabelece quando penetramos o nível do amor incondicional.

 

 

 

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Um jovem me disse: “Meu pai não fala com ninguém em casa. Só vê televisão”. “O que estaria acontecendo com esse homem?”, pensei. Disse ao jovem: “Cuidado para não ficar com a visão de sua mãe sobre seu pai. Fale com ele. Muitas vezes, os casais não se entendem e os filhos, sem notar, tomam o lado de um ou de outro. Converse com seu pai – uma conversa entre homens”.

Até hoje esse jovem não retornou à minha comunidade. Teria conseguido falar com pai? Teria vencido o olhar materno que o fazia ver o pai taciturno e arredio? Soube que havia anos o casal não se falava. Comunicava-se por meio de bilhetes pregados na geladeira. Por que guardar mágoas assim?

Outro caso... Quando pedi que um jovem casal escrevesse seus votos de casamento, estranhei quando li: “... e nunca iremos dormir sem fazer as pazes”. Com certeza, teriam convivido com pessoas que dormiam mal, pessoas capazes de ficar semanas, meses, anos e até mesmo toda uma vida sem se falar mais.

Não devemos cultivar em nós o rancor, a birra, a raiva. Quem primeiro se arrepender e se desculpar é o mais forte. Pessoas fracas jamais se arrependem. Pessoas fracas jamais se desculpam verdadeiramente. Pessoas fracas insultam, discriminam, maltratam. São pessoas fracas as que batem, ferem, quebram objetos. Parecem fortes, mas na verdade são muito frágeis internamente.

Uma pessoa grande sente contentamento com a existência. Pode dormir no chão duro e está feliz. Quem não conhece o contentamento é infeliz mesmo num palácio real.

Contente, correto, amoroso, terno, sem entrar em discussões inúteis, falo apenas para que todos os seres despertem para a mente suprema e realizem a iluminação.

 

Podemos crescer. Crescer dói. Assim como doeram os dentes de leite para cair. Crescer e se tornar um ser humano completo e livre significa ser responsável e tranquilo. Não possuir nenhum motivo para matar ou morrer, mas encontrar inúmeras razões para viver.

 

 

Fonte: A sabedoria da transformação, Monja Coen, Academia

 

 

Uma emocionante canção na voz de Ana Gabriela:

 

 

CARTA PARA MÃE
 
(Ana Gabriela)
 
Ela chorou
Por muitas noites
Ela chorou
Sozinha
 
Ela tentou
Ela gritou
Ela contou
Tua vida
 
Ela falou
De uma garota
Ela sorriu
Como nunca
 
Sua mãe falou
Que se assustou
Não era oque
Ela sonhou
 
Com medo vi
Que ela ficou
Mas logo após
Me abraçou
 
A mãe chorou
E entendeu
Não a julgou
A acolheu
 
Ela sou eu
Ela sou eu
Vivendo o que 
 
Sempre escondeu
Ela sou eu
Ela sou eu
Vivendo o que
Sempre escondeu
 

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