CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar
ZEN
19.11.2019
CompraZen
Ser zen sem precisar ser monge
COMPARTILHAR

 

Quem se decide pela vida monástica zen-budista enfrenta duras provações, de fato. Enfrenta a si mesmo, primordialmente. Quando Monja Coen quis tornar-se monja, estava praticando no Zen Center de Los Angeles, nos Estados Unidos. Charlotte Joko Beck, sua professora, alertou: “Não há nada de charmoso nisso; é servir, é limpar aquele cantinho que ninguém quer limpar, é como se nós nos tornássemos as grandes faxineiras do mundo. Você acha que está pronta para isso?”. A jovem Cláudia respondeu que sim, mas, na verdade, ainda não entendia em profundidade o que ela queria dizer.

 

 

ser-zen-sem-precisar-ser-monge-sabedoria-nirvana-monja-coen-nosso-blog-texto.jpg

 

 

Namaste: “o sagrado em mim cumprimenta e reconhece o sagrado em você”. Você é capaz de honrar o sagrado em cada ser que encontra? Não se trata daqueles que escolheu, com quem se identifica porque se vestem e falam com afinidade, que são “da sua turma”. Trata-se de perceber que todos são “dos meus”, que não há outros, que somos a espécie humana.

O budismo encerra três ensinamentos fundamentais:

  1. Todas as coisas são impermanentes;
  2. Nada tem uma natureza própria, intrínseca, fixa e permanente;
  3. Tudo pode viver em paz e quietude de nirvana.

Entenda que nada é fixo, nada é permanente. Nenhuma condição é fixa ou determinada. Não é a questão de uma coisa passar por mudanças. Significa que todas as coisas, inclusive você, estão sempre mudando e não têm um centro ou uma essência imóvel e permanente. O zen-budismo se baseia nisso. Inclui você, que está sempre mudando e não tem um centro ou uma essência fixa. Como seres humanos, estamos sempre percebendo através dos sentidos, ou seja, estamos conhecendo, temos consciência das coisas.

E só podemos perceber passado e futuro. Todas as ansiedades, que são o oposto da paz mental, assim como as agitações, surgem do passado ou do futuro. Porque no momento presente você está apenas intersendo. E como é difícil estar apenas no presente! Mas perceba que este presente inclui todo o passado e todo o futuro. E não é pesado, é leve como a mão de uma criança.

O momento presente é uma condição, onde não há separação entre mim e os outros, entre mim e os objetos. Não que exista algo chamado “momento presente”. Na hora em que falo “momento presente”, ele já se foi. Este agora é quando não há separação, quando você se percebe interconectado. No entanto, nós precisamos do alimento do passado e do alimento do futuro. A nossa vida é passado, futuro e presente. Nós não cortamos as nossas inter-relações, não somos seres partidos, mas, sim, um contínuo, assim como o tempo, que é circular. Não brigamos com o tempo, não corremos atrás dele, nem ele corre atrás de nós, porque somos o tempo. Ele é a nossa existência. Aprecie este instante transitório, passageiro – e por isso eterno – da sua vida.

Tudo pode viver em paz e quietude de nirvana. Nirvana ou nibana significa extinguir, aquietar. Mas não quer dizer “aquietar a mente”. Temos pensamentos! Mas os pensamentos não são a mente – eles vêm e vão. A verdadeira paz mental não se procura fora de si mesmo, não depende de outras pessoas ou situações. Nós podemos ser livres para encontrá-la. Se abrirmos os olhos como se víssemos a realidade pela primeira vez, seremos capazes de ver claramente que é, como é e quem está em nossa frente. Você reconhece o nirvana? Você conhece esse estado de paz e quietude? Ou será que você fica alimentando a sua mente com reclamações, resmungos?

Em uma entrevista em comemoração aos 52 anos da revista Claudia, a entrevistadora perguntou a Coen o que ela tinha a dizer para as pessoas, a fim de que vivessem melhor. Coen ressaltou dois aspectos: “Não reclamar nem resmungar. As pessoas perdem horas de suas vidas preciosas resmungando e reclamando. Não significa vestir os ‘óculos-de-ver-tudo-maravilhoso’. As coisas são como são. Precisamos falar com a pessoa certa, na hora certa, de maneira correta para que haja mudança. Mas ficar reclamando e resmungando amargura a boca e o coração.”

 

 

ser-zen-sem-precisar-ser-monge-sabedoria-nirvana-monja-coen-nosso-blog-imagem.jpg

 

 

E o segundo aspecto, que é tão importante quanto esse, é conhecer a si mesmo. Conhecer com intimidade aquilo que lhe é mais íntimo: seu corpo e sua mente. Você fez um pouco de atividade física hoje? Que tal um pouco de ioga ou uma corrida? Qualquer atividade física. Até o caminhar rapidamente, prestando atenção, sentindo os passos, o alongamento da coluna vertebral. Esteja presente onde você está. Até no trânsito. Que oportunidade de sentir seu corpo, sua postura. Alinhe a coluna, estique os braços. Perceba que este momento é único em sua vida e que jamais se repetirá. Não desperdice a sua existência. Observe a luz e a sombra, a luz dos carros. Tome cuidado e preste atenção, plena atenção. Não machuque ninguém nem seja machucado. Assim como no trânsito, prestamos atenção, mesmo andando a pé – para não esbarrarmos nas pessoas nem levarmos esbarrões. É a mesma coisa na vida.

Há uma ideia no budismo de que há três períodos para o Dharma, para os ensinamentos: um período que é chamado Dharma correto, onde existe Buda e os ensinamentos, existe a prática e a realização. Depois de muitos, muitos mil anos, segue-se um período chama Dharma de imitação, no qual as pessoas apresentam apenas a forma, ou seja, se vestem como monges ou como budistas e o ensinamento existe, a prática existe, mas é uma prática formal, preocupada com a posição e se está correta – por exemplo, “olha minha mãos como está bonitinha e bem posicionada”-, embora sem profundidade.

Finalmente, depois de outros muitos milhares de anos, cerca de 10 mil depois de Buda, chegará a época do chamado Dharma degenerado, no qual existe o ensinamento, mas só o ensinamento. Como se uma pessoa lesse um livro, considerasse-o interessante, mas não o colocasse em prática na sua vida, não procurasse um mestre, um professor. No Japão do século XIII já se dizia: “Nós estamos na época do budismo degenerado”. Contudo, Buda é de 2.600 anos atrás, então, 10 mil anos depois... nós ainda não chegamos lá. Mesmo assim, há quem diga que já estamos nessa época, com pessoas que só olham o ensinamento, mas não o praticam, não o vivenciam e ficam apenas na leitura que fizeram para, em seguida, deixar o livro guardado na estante.

Todas as manhãs, nos templos da tradição de Monja Coen, a Sôtô Shû, são feitas orações, um período de meditação e depois as liturgias da manhã. A primeira liturgia da manhã é um sutra oferecido a Shakyamuni Buda, o Buda histórico, aos mestres na linhagem – porque sem eles não haveria a transmissão - e também a toda a Terra e todos os seres.  O segundo sutra é também um ensinamento de Buda, lido diariamente para não ser esquecido e para elevar uma inspiração naquele dia e na própria meditação. Esse segundo sutra é dedicado ao budismo degenerado, a fim de que volte a ser o budismo correto, que deixe de ser apenas uma forma e um texto para tornar-se uma experiência verdadeira. Ele também é importante para que cada ser possa descobrir Buda, a sua natureza iluminada, e viver de acordo com ela – o que depende de cada um, descobrindo que não é apenas ouvir o ensinamento, mas tornar-se o ensinamento.

 

 

Fonte: Zen para Distraídos, Monja Coen e Nilo Cruz, Academia

 

 

Monja Coen fala sobre como zer zen na correria do dia a dia:

 

 


Voltar

ÚLTIMOS POSTS

10.12.2019
Segundo o Dr. Edward Bach, criador do sistema dos Florais de Bach, para se entender a natureza e a cura da ...
Leia mais
03.12.2019
Você gostaria que fosse possível não sentir dor? Gostaria de ser absolutamente imune a ...
Leia mais
26.11.2019
Citrus, em latim, quer dizer “limão”. Daí todas as frutas cítricas serem parentes ...
Leia mais
RECEBA NOSSA NEWSLETTER
CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar

CompraZen, seu companheiro de jornada

Formas de pagamento

Formas de pagamento

Redes sociais

Facebook Instagram Youtube

Atendimento

(11) 4721-5028

(11) 93148-0456

Buda
2017 - Todos os direitos reservados - Compra Zen www.comprazen.com.br - CNPJ 15.294.311/0001-88
Rua Francisco Martins Feitosa, 119 - Mogi das Cruzes - SP - 08735-420 - Brasil
Preços, condições e promoções exclusivos para o site, podendo sofrer alterações sem prévia notificação.