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Meditação, yoga e bem-estar
FILOSOFIA ORIENTAL
04.02.2020
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Karma-Yoga
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A palavra karma se deriva do sânscrito kri, “fazer”; toda ação é um karma. Tecnicamente, esta palavra quer dizer: os efeitos das ações. Metafisicamente é usada com o seguinte significado: é o efeito provocado por nossas ações anteriores. Porém, em karma-yoga só tratamos da palavra karma como equivalente de ação. A meta da humanidade é o conhecimento; este é o ideal unívoco da filosofia oriental.

 

ALÉM DO BEM E DO MAL

 

O propósito do homem não é gozar, e sim conhecer. A felicidade tem seu fim. É um erro supor que o prazer é a meta. O motivo das misérias do mundo está em o homem pensar ingenuamente que o prazer é a finalidade que ele deve buscar. Depois de algum tempo, ele descobre não ser à felicidade, porém ao conhecimento que se dirige; compreende que tanto o prazer como a dor são seus mestres e que tanto aprende através do bem como do mal.

O desfilar do prazer e da dor ante sua alma lhe sulca diferentes traços, e estas impressões combinadas formam o seu “caráter”. Se considerar o caráter de um homem, notará que ele não é mais do que um agregado de suas tendências, a soma das inclinações de sua mente; achará que a desgraça e a felicidade são fatores equivalentes na formação de seu caráter - o bem e o mal atuam de forma semelhante na formação do caráter. E, em certas ocasiões a desgraça é melhor mestre do que a felicidade. Se estudássemos os grandes personagens, chegaríamos a crer que na maioria dos casos a desgraça lhes ensinou mais do que a felicidade; que a pobreza lhes ensinou mais do que a riqueza, e que foram os reveses mais do que os elogios que lhes despertou o fogo interior.

 

 

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O CENTRO DAS AÇÕES

 

Também sabemos que todo conhecimento é inato; nada nos vem do exterior; tudo está no interior. Quando dizemos que um homem “conhece”, deveríamos dizer que ele “desconhece”; o que um homem “aprende” é em realidade apenas aquilo que ele descobre ao tirar as envolturas de sua alma, a qual é um depósito inesgotável de conhecimentos.

O conhecimento está na mente como o fogo está na pedra. É a fricção que o faz brotar. O mesmo acontece com os nossos sentimentos e ações: sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas, gargalhadas e gemidos, maldições e bênçãos, elogios ou censuras. Se nos estudássemos com imparcialidade, veríamos que cada um deles surgiu do nosso interior, por um impulso provocado por golpes exteriores. O resultado é aquilo que somos. A reunião de todos estes golpes é o que chamamos karma, ou ação. Cada impulso mental ou físico dado à alma, através do qual é provocada a chispa, e que se apresenta como poder e conhecimento, é karma; usando a palavra em eu sentido mais amplo, estamos sempre acumulando karma. Quando estou falando, é karma; os que me escutam, é karma; respiramos karma; andamos, karma. Tudo quanto fazemos física ou mentalmente e deixa suas marcas em cada um de nós, é karma.

Em seus efeitos sobre o caráter, o karma é o poder maior que o homem tem que enfrentar. O homem é de certo modo um centro que atrai para si todos os poderes do universo, e uma vez reunidos, os emite novamente numa poderosa corrente. Este centro é o homem real, o onipotente, o onisciente, e atrai a si todo o universo. Bem e mal, felicidade e miséria, tudo corre para ele e se reúne ao seu redor, e modela a poderosa corrente das tendências que formam o seu próprio caráter, e as atira para o exterior. Assim como tem o poder de atrair, tem também o poder de emitir.

Todas as ações que vemos no mundo, os movimentos sociais, tudo quanto nos rodeia, não representa nada mais do que o produto do pensamento, a manifestação da vontade do homem. Máquinas, instrumentos, cidades, tudo é manifestação da vontade humana; e a vontade resulta do caráter, e o caráter é ação do karma. Como é karma, é a manifestação da sua vontade.

Tudo isso é produto do karma, isto é, ação. Ninguém pode obter coisa alguma, a não ser merecendo-a. Esta é uma lei eterna. Um homem pode lutar toda a sua vida para conseguir riquezas, pode enganar a mil pessoas, porém no fim, se não merece ser rico, sua vida se torna insuportável. Podemos acumular milhares de objetos para o nosso bem-estar físico, porém só o que merecemos é realmente nosso. Um néscio pode comprar todos os livros do mundo e ordená-los em sua biblioteca, porém só será capaz de ler aqueles que merece; e este merecimento é o resultado do karma. Nosso karma determina o que merecemos e o que somos capazes de assimilar.

 

 

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A FORÇA DO ALTRUÍSMO

 

Se um homem trabalha sem motivo egoísta, será que não ganha coisa alguma? Sim, ganha algo de mais elevado. O altruísmo é a maior recompensa, melhor mesmo do que a saúde, porém os homens não têm paciência de praticá-lo. Amor, verdade e altruísmo não são meras figuras de retórica, sendo as realidades que devem constituir nosso mais elevado ideal, mesmo que seja apenas pelo poder que estas qualidades lhe conferem. Primeiramente, um homem que trabalha cinco dias ou só cinco minutos sem nenhum motivo egoísta, sem pensar no futuro, no céu, nem no castigo, chegará a ser um poderoso gigante moral. É difícil de se levar isto à prática, porém, em nosso íntimo reconhecemos o seu valor e o bem que produz.

Quando o homem se torna impessoal, possui a maior manifestação de poder. Um carro arrastado por quatro cavalos pode precipitar-se de uma montanha, estando sem freios, ou pode também o cocheiro brecá-lo. Qual a maior manifestação de poder: refrear os cavalos ou deixá-los precipitar-se? Uma bala de canhão atravessa o espaço, corre uma distância considerável e cai; outra é detida por uma parede, e o choque gera um calor intenso. Toda manifestação de energia impulsionada por um motivo egoísta, é uma delapidação, pois não produzirá poder que volte ao seu agente; porém, se ela for contida, desenvolverá potência.

Este autocontrole produzirá uma vontade enérgica, um Buda ou um Cristo. Os ignorantes não conhecem este segredo; no entanto ambicionam dirigir a humanidade. Mesmo um tonto pode dirigir o mundo, se ele trabalhar e esperar; basta aguardar alguns anos, reprimir a néscia ideia de governar, e quando tiver alcançado isto, terá conquistado o verdadeiro poder. A maioria das pessoas não enxerga além de alguns anos, como certos animais não veem além de alguns passos. O mundo é um círculo estreito. Não temos paciência de olhar um pouco além, e por isto nos tornamos perversos e imorais. Esta é a nossa debilidade e impotência.

Nenhuma forma de ação, por inferior que seja, deve ser desprezada. Deixai que o homem que não conhece o que existe de melhor, trabalhe com fins egoístas, em busca do nome e da fama; porém, aproximai-vos cada vez mais de motivos mais elevados e procurai empreendê-los. “Temos direito ao trabalho, porém não ao seu fruto”. Não penseis nos frutos. “Por que preocupar-se com os resultados?”. Se desejais ajudar um homem, nunca penseis no agradecimento. Se necessitais realizar uma obra grande ou boa, não vos inquieteis pelo resultado.

Devemos, porém, começar pelo princípio, aceitar os trabalhos tal qual nos chegam, e nos tornar cada dia mais altruístas. Devemos realizar a obra e encontrar o motivo que a inspira; e quase sem exceção, nos primeiros anos acharemos que nossos motivos são sempre egoístas; porém gradualmente este motivo se desvanecerá, até que por fim possamos realizar uma obra verdadeiramente altruísta.

Todos podemos esperar que um dia ou outro, lutando continuamente pela senda da vida, chegará um tempo em que sejamos perfeitamente altruístas; e no momento que o conseguirmos, todos nossos poderes se concentrarão e o conhecimento que já é nosso se manifestará.

 

 

Fonte: Karma Yoga – A educação da vontade, Swami Vivekananda, Pensamento

 

 

Acompanhe o mantra Om Namo Bhagavate Vasudevaya, na versão de GoKirtan. Este mantra é dedicado a Krishna (a tradução literal seria : " Eu reverencio Senhor Vasudeva/Krishna [Senhor Supremo]") e indicado para dissolver karmas negativos em três níveis: prarabdha (semeados em vidas passadas e colhidos agora), sanchit (semeados nesta vida e colhidos ainda nesta vida) e kriyaman (semeados nesta vida mas a serem colhidos em outra futura):

 

 

OM NAMO BHAGAVATE VASUDEVAYA

 


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