CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar
FILOSOFIA ORIENTAL
17.12.2019
CompraZen
Tao e artes marciais
COMPARTILHAR

 

O C’hi, poder e força desenvolvidos nas artes marciais para quebrar placas e defender-se de agressores, também pode ser uma fonte de saúde e longevidade. Os antigos taoistas da China praticavam artes marciais, cura e meditação, todos juntos, como uma só arte.

 

 

 

tao-e-artes-marciais-taoismo-tai-chi-chuan-judo-aikido-yin-yang-nosso-blog-imagem-1.jpg

 

O tai chi chuan é a arte marcial que expressa o Taoismo em movimento. Embora envolto em mistério, acredita-se que suas origens remetem a um monge taoista do século 14 chamado Chang San-feng. Os detalhes históricos exatos não são muito claros, porém ele foi considerado o fundador por ser o primeiro a trazer princípios taoistas para movimentos de artes marciais.

Chang San-feng era um homem de porte grande, com um formato que lembrava o de uma tartaruga. Usava becas de monges e barba longa. Era capaz de comer um saco de comida ou ficar semanas sem alimentar-se. Vivia com simplicidade em uma pequena cabana e viajou pela montanha Wu Dan com seu discípulo.

Uma lenda conta como Chang San-feng foi convidado pelo imperador Wei Tsung para ir ao castelo ensiná-lo artes marciais. Ele preparou-se para a jornada, mas, no caminho, encontrou a estrada bloqueada, o que impossibilitava sua passagem. Naquela noite, o imperador sonhou que estava aprendendo artes marciais. Na manhã seguinte, dizem, ele teria derrotado 100 inimigos com apenas uma das mãos! Essa história mostra o caráter taoista dos ensinamentos de Chang San-feng: o tai chi chuan fora ensinado em um sonho.

 

 

tao-e-artes-marciais-taoismo-tai-chi-chuan-judo-aikido-yin-yang-nosso-blog-texto-1.jpg

 

 

O tai chi chuan tornou-se mais amplamente difundido nos anos 1800 e desenvolveu-se em três ramos chamados Ch’en, Yang e Wu. O Ch’en é a forma mais antiga e deriva diretamente dos ensinamentos de Chang San-feng. Yang Lu Ch’an (1799-1872) foi para a província Honan aprender o antigo estilo Ch’en. Ele fundou uma escola em Pequim, onde ensinou seu próprio estilo de tai chi chuan, que batizou de Yang. Depois, transmitiu a arte para seus filhos, que continuaram a ensinar a ramificação Yang e ajudaram a difundir amplamente o tai chi chuan.

Um dos herdeiros de Yang Lu Ch’an deu aulas para um homem chamado Wu Yu-hsiung. Este também começou a estudar com um mestre Ch’an e recebeu a cópia de um antigo manual de tai chi, que teria sido repassado por diversas gerações. Combinou os estilos de Yang e Ch’en para criar um terceiro, que hoje é chamado de Wu. Ele também escreveu diversos livros, que mesclaram os princípios do antigo manual a suas interpretações pessoais. As frases dessa obra são bastante citadas e parafraseadas para expressar as bases teóricas internas e os critérios externos do tai chi chuan.

O manual de Wu, “A Elucidação dos Treze Movimentos Cinéticos”, descreve como os movimentos do tai chi chuan devem ser realizados e a mente do praticante, usada. Essas qualidades podem ser deduzidas dos princípios taoistas.

Os três ramos principais do tai chi chuan derivam uns dos outros, baseados no estilo original. Assim, mantendo a filosofia taoista, do Tao surgiu um, de um surgiram dois, de dois surgiram três, e de três desenvolveram-se “os dez mil” estilos e praticantes de hoje.

 

 

 

tao-e-artes-marciais-taoismo-tai-chi-chuan-judo-aikido-yin-yang-nosso-blog-imagem-2.jpg

 

Jigaro Kano sistematizou e codificou sua própria forma a respeito da antiga arte de luta corporal do jujitsu, organizando alguns princípios básicos em um estilo conhecido como Kodokan Judô. Assim, o judô foi ensinado amplamente por todo o Japão e, depois, em todo o mundo, alcançando status de esporte olímpico. O conceito de luta de Lao-tzu pode ser entendido como uma interação real de forças físicas.

O princípio primário do judô é o de que não se deve oferecer resistência a uma grande força ofensiva. Em vez disso, os praticantes aprendem a lutar e fluir com ela, de modo que a própria força do agressor possa ser usada contra ele. Esse conceito foi formulado sucintamente por Kano como o princípio da eficiência máxima. Ele acreditava que seu código de conduta era universalmente aplicável.

Se o oponente nos empurra e nós o empurramos de volta, a força maior vence, geralmente, a alto custo. Movimentos agressivos em direção ao outro requerem energia e levam ao desequilíbrio. Assim, se em vez disso você puxar enquanto ele empurra, poderá ganhar vantagem da força dele, podendo superá-la com apenas um pequeno esforço seu. Torna-se possível derrubar o oponente. Embora pareça um paradoxo, você ganha ao perder terreno. Usando sua energia de maneira muito mais eficiente, poderá vencer a força maior com uma menor. Esse princípio deve ser aplicado em diversas situações da vida, desde consertar coisas miúdas até nos negócios e nas relações pessoais.

 

 

 

tao-e-artes-marciais-taoismo-tai-chi-chuan-judo-aikido-yin-yang-nosso-blog-imagem-3.jpg

 

O aikidô também se baseia em conceitos taoistas e nas antigas técnicas do jujitsu, combinados e refinados em um estilo distinto por meio do amplo conhecimento e da espiritualidade do fundador, Morihei Ueshiba. Este organizou sua arte em torno de princípios espirituais simbólicos que transcendem a situação da batalha: manter-se ao centro e expandir fluxos positivos de energia, com calma e harmonia. Quando a paz é quebrada, o praticante entre em ação para restaurá-la. Os oponentes são arremessados rodopiando e derrubados em chaves que não lhes deixa outra saída senão se render. No auge de seus 80 anos, Ueshiba ainda era capaz de demonstrar com maestria o controle sobre quatro atacantes avançando em sua direção ao mesmo tempo.

 O nível mais alto do aikidô é promover a defesa sem machucar o atacante. A intenção do praticante é ser meditativamente sereno e manter a harmonia com o universo. Os ataques agressivos de um oponente quebram a paz. O praticante busca concertá-la. A resposta ideal é sutil, embora devastadora para o agressor.

O praticante de aikidô encontra e segue a energia do ataque do oponente, referida como ki (a tradução japonesa para o chi chinês), e une-se a ela. Ele encontra uma direção segura para promover seu ataque, e então flui em uma série de movimentos dinâmicos que acabam impedindo o oponente de realizar um ataque bem-sucedido, levando-o à submissão e guiando a luta, graciosamente, à neutralidade.

Movimentos fluidos circulares ou espirais são bastante característicos. Os praticantes sensibilizam-se na direção da energia e estendem-se positivamente, seja em direção a um oponente ou na vida diária. As técnicas, às vezes, coincidem com as do judô e do jujitsu, mas o fluxo do aikidô e suas aplicações filosóficas têm um caráter único.

 

ESTRATÉGIA TAOISTA

 

Um desenvolvimento mais avançado das artes marciais consiste na aplicação dos princípios do Tao à estratégia. Essas estratégias podem ser estabelecidas de maneira prática nas situações da vida cotidiana. Os valores taoistas permitiram certos truques e manobras estratégicas nas artes marciais, como mostrado em “A Arte da Guerra”, de Sun-Tzu, escrito por volta do século 4 a.C., que foi um guia de táticas e conceitos por mais de 200 anos na China clássica e no Japão feudal, e continua sendo nos tempos modernos. Por toda a história, o texto foi objeto de estudo de eruditos asiáticos e, mais tarde, ocidentais, para compreender a estratégia de guerra, bem como sua formulação.

De acordo com a teoria de Sun-Tzu, o general deve ponderar a situação antes de se mover, de modo que possa se adaptar às condições mutáveis. A abordagem taoista para a ação, flexível, porém firme, é como um rio fluido de força, limpando todas as resistências em seu caminho ou levando-as consigo. A estratégia taoista aborda quadros de soluções de problemas com métodos baseados em opostos. Nos níveis mais altos de sofisticação, o combate das artes marciais é, em última instância, uma batalha de mentes. Conflitos interpessoais podem também ser vistos dessa maneira. Um encontro de mentes proporciona a melhor solução.

A estratégia pode ser tanto direta quanto indireta. Cheng e ch’i são conceitos duais que Sun-Tzu usou para classificar a estratégia de ação. O primeiro é o ataque direto; o segundo, indireto. O cheng pode ser ortodoxo, confrontante. O ch’i é surpreendente, não ortodoxo, esperto. Quando próximo, o general habilidoso parece longe; se distante, parece perto. Ao atacar, o general habilidoso é veloz e inesperado, mas esperto, movendo-se de uma maneira que desequilibra o oponente e aproximando-se antes que o rival esteja preparado. A solução vitoriosa é alcançada ao equilibrar os opostos. No entanto, cada equilíbrio é individual. As situações e suas necessidades variam. É preciso sensibilidade, cálculo preciso e bom julgamento.

Uma vez que o Tao é amorfo em sua própria natureza, os eventos e circunstâncias externas, à medida que os sábios respondem a elas, dão forma ao Tao flexível. Seja como a água, sem forma, aconselhava Sun-Tzu: Reaja à situação sem qualquer propósito fixo. Responda às necessidades das condições e circunstâncias externas como elas são. Modifique as estratégias e táticas de acordo com o que for necessário. Esse conselho tem aplicações em todos os aspectos da vida, tanto em casa, com a família, quanto fora, no mundo da interação.

Por fim, o sábio taoista, em todos os seus confrontos, busca o caminho pacífico, do “não confronto”. Sun-Tzu reconheceu e estabeleceu isso como a mais elevada expressão de sua arte: “Conquistar cem vitórias em cem batalhas não é o auge da habilidade. Dominar o inimigo sem lutar é que é o auge da habilidade”.

 

 

4707-square-1536.jpg

 

 

Fonte: Taoismo no Dia a Dia, C. Alexander Simpkins e Annellen Simpkins, JBC

 

 

 


Voltar

ÚLTIMOS POSTS

28.09.2021
Os grandes instrutores religiosos são como médicos para as doenças do mundo. Superficialmente, a ...
Leia mais
14.09.2021
Este texto foi desenvolvido a partir de uma pesquisa médica intitulada A ciência descobre o verdadeiro ...
Leia mais
31.08.2021
Todas as idades, assim como todas as circunstâncias, têm suas compensações. Muitas pessoas ...
Leia mais
RECEBA NOSSA NEWSLETTER
CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar

CompraZen, seu companheiro de jornada

Formas de pagamento

Formas de pagamento

Redes sociais

Facebook Instagram Youtube

Atendimento

(11) 96706-4719

Buda
2017 - Todos os direitos reservados - Compra Zen www.comprazen.com.br - CNPJ 14.088.607/0001-80
Rua Francisco Vaz Coelho, 847 - Vila Lavínia - Mogi das Cruzes - SP - 08735-440 - Brasil
Preços, condições e promoções exclusivos para o site, podendo sofrer alterações sem prévia notificação.