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ZEN
09.06.2020
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Mu, o grande koan do Zen
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Os koans são a ajuda mais intrigante e enigmática de todas para o estágio de insight na meditação. Essencialmente, os koans são afirmações ou perguntas enigmáticas sem sentido lógico. Utilizados principalmente na escola zen-budista Rinzai, eles são dados individualmente pelo mestre aos alunos, que então os utilizam como foco de atenção para meditar. Os koans têm graus diferentes de dificuldade, e o mestre sempre os escolhe de acordo com o grau de desenvolvimento do aluno. Apenas quando o koan for solucionado de modo satisfatório para o mestre, o aluno recebe um koan mais avançado para trabalhar.

Por que os koans são utilizados na meditação e às vezes têm a preferência da escola Rinzai como foco de meditação? Uma resposta simples é que os koans conduzem a mente para além dos limites do pensamento lógico e linear, levando assim a uma profunda e importante reflexão em que a mente experimenta uma compreensão súbita do que fundamenta os processos de pensamento que habitualmente a dominam. Mas, como todas as simplificações, essa resposta está apenas parcialmente correta. Há mais sobre os koans, e o mestre adverte o aluno a não se entregar à meditação com o koan com ideias pré-concebidas.

O koan mais conhecido é “Qual é o som de uma mão batendo palmas?”. Não há uma resposta lógica. Mesmo a resposta “silêncio” estaria errada, porque o silêncio não é uma consequência de bater palmas. Há 48 koans no Mumonkan (O Portal Sem Portão) e cem no Hekiganroku (Inscrições do Penhasco Azul), que são os livros mais conhecidos de koans. Todos os koans desses livros têm narrativas breves associadas a eles, bem como comentários de mestres zen tão enigmáticos quanto os koans em si. Geralmente, o mestre dá ao aluno o “Mu” como primeiro koan. A história em torno de “Mu” é a seguinte: perguntaram a Joshu, mestre chinês do século 19, “Um cachorro tem a natureza de Buda?”, ao que ele respondeu “Mu” (“Wu”, em chinês). Diante disso, “Mu”, que pode ser traduzido por “nada”, pareceria indicar que um cachorro não tem a natureza de Buda, mas “Mu” é uma negativa tanto para o positivo quanto para o negativo. Então, o que Joshu quis dizer?

O aluno se concentra em “Mu” até que um súbito insight sobre seu significado pareça surgir. Na entrevista seguinte com o mestre, o aluno dá a resposta. O mestre ouve, provavelmente balança a cabeça e toca o sino, o que significa que a entrevista acabou. O insight está incorreto, e o aluno retorna à almofada para meditar e tentar novamente. Esse processo pode se arrastar por semanas, meses ou mais, até que um dia, talvez sem palavras (dizem que o mestre pode saber se o insight foi alcançado assim que o aluno entra na sala), o aluno satisfaz o mestre e então recebe outro koan em que trabalhar.

 

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Que espécie de resposta o discípulo pode ter dado ao koan “Mu”? A única forma de saber é trabalhando você mesmo com o koan. O valor do koan está no processo que leva à resposta. Sem o processo, a resposta perde o sentido. Não estamos falando do tipo de pergunta encontrado numa prova, para a qual existe apenas uma resposta aceitável. O koan é um exercício mental; é impossível obter qualquer benefício dele sem executá-lo.

Um dos trechos mais proveitosos dos vários comentários aos koans foi escrito pelo mestre zen Mumon sobre o famoso koan de Joshu a respeito do carvalho. Perguntaram a Joshu, “O que significa a vinda do Bodhiddharma [patriarca zen da Índia] à China?”. Ao que ele respondeu: “O carvalho no jardim”. Qual seria a sua resposta? Para ajudá-lo, Mumon (na tradução do Mumonkan feita por Sekida) escreveu: Palavras não podem expressar coisas / Falar não convém ao espírito. / Quem é dominado pelas palavras se perde; / Quem se bloqueia pelas frases se confunde. A questão colocada a Joshu pode ser vista como “Qual o propósito do budismo?” Ou de qualquer caminho espiritual? Difícil responder com palavras.

 

ANALISE UM KOAN

 

A meditação com koans exige a presença de um mestre zen, que tenha pessoalmente resolvido o koan e que, portanto, seja capaz de auxiliar o progresso do discípulo. Contudo, se o discípulo não se deixar levar por quaisquer insights que surgirem, presumindo que o koan está resolvido, a prática solitária com koans é útil para aquietar a mente e observar o que aflora da quietude.

 

1 - Suponhamos que você vá trabalhar com o “Mu” de Joshu. Um mestre Ch’an (zen chinês) instruiu-me a segurar o koan na mente como algo doce. “Não se pergunte a resposta”, insistia ele, “pergunte ao koan”. Outro mestre pediu que eu fingisse perguntar o koan a um amigo sábio que “estava sentado em frente, mas nunca respondia”.

2 - Escolha o método e brinque com o koan em vez de sair atacando o problema como se fosse uma questão lógica. Diz-se que à medida que se brinca com o koan, dando voltas com ele na mente, ele se torna por fim “uma grande esfera de dúvida”, e surge um sentimento de urgência em resolvê-lo.

3 - Você pode tanto pensar no “Mu” como “nada”, quanto como “Mu”, simplesmente. A resposta de Joshu implica que um cachorro possui a natureza de Buda (potencial para a iluminação) e que a natureza de Buda é “nada”?

4 - Uma vantagem do koan é que até mesmo a meditação sentada ao ar livre pode tornar-se uma companhia valiosa. “O que é nada?” “Uma árvore é nada?” “Eu sou nada?” Não espere que nenhum insight surgido tenha relação óbvia com a questão em si.

5 - Você também pode desejar seguir o seguinte koan, que é classificado pela escola Rinzai como um Gonsen Koan, capaz de abrir um mundo oculto de beleza e sabedoria. A pergunta “Fala e silêncio dizem respeito a sujeito e objeto. Como posso transcender tanto o sujeito quanto o objeto?” é seguida da resposta “Sempre penso em Konan [província da China] em março. Perdizes piam entre botões de flor perfumados”.

 

Percebe? Simplesmente mantenha a pergunta em mente e observe o insight que aflora da resposta.  Além de perguntas e afirmações paradoxais, alguns koans implicam um diálogo de perguntas e respostas entre o discípulo e seu instrutor. Um discípulo perguntou ao mestre zen: “Qual o Grande Caminho?”. O mestre respondeu: “Está bem à sua frente”. “Então por que não consigo vê-lo?”, indagou o discípulo. “Porque você está pensando em si mesmo”, respondeu o mestre...

 

 

Fonte: Meditação Semana a Semana, David Fontana, Publifolha

 

 

Um experiência meditativa com Buda:

 

 


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