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17.03.2020
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Existe uma Bíblia budista?
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O cristianismo, o judaísmo e o islamismo têm, cada qual, seu próprio livro, sua própria lei: Bíblia, Torá, Corão. Por dedução, a curiosidade de alguns pergunta qual é o grande livro do zen-budismo. Buda nunca escreveu. Como príncipe que havia sido, educado na nobreza, era escolarizado e dominava o idioma dos brâmanes, os intelectuais, mas fazia questão de passar seus ensinamentos em linguagem simples e acessível a todos. Então, não existe o livro budista. Os discípulos de Buda, depois de seu parinirvana, reuniam-se e relembravam os ensinamentos do mestre. Parinirvana é o grande nirvana final. Refere-se à passagem do Buda, aos 80 anos de idade, no que seria hoje o dia 15 de fevereiro. Um de seus mais importantes sermões é justamente o Parinirvana Sutra (Nehan-gyo, em japonês), que contém seus últimos ensinamentos.

 

UMA ÁRVORE, VÁRIOS RAMOS

 

Certa vez, Buda apanhou um punhado de folhas e perguntou aos alunos se achavam que aquele punhado era muito ou pouco em relação a todas as folhas da floresta. Todos concordaram em que o punhado era só um pouquinho. E Buda, então, mostrou-lhes que, assim como o punhado representava muito pouco em relação a todas as folhas da floresta, assim também eram seus ensinamentos: um punhado muito pequeno em relação a toda a Verdade. A Verdade é muito maior do que o que ele podia falar, porque ela está em toda parte, em todos os seres, em toda a natureza, em cada criatura, que é a manifestação dela e da própria Verdade.

E os discípulos foram escrevendo. Tanto material foi reunido, tantos pergaminhos escritos sobre tantos assuntos, que não cabem em um livro. São tantos textos que nem ao longo de uma vida inteira podem ser lidos. Consequentemente, os alunos começaram a se especializar em grupos de ensinamentos. A consolidação dos grupos, por sua vez, originou escolas budistas distintas. Comparando superficialmente, é como o cristianismo, cujo Evangelho foi escrito pelos discípulos. A partir deles, surgiram várias ordens religiosas. Houve até uma separação, a dos protestantes, igualmente gerando outras várias escolas. Pois com o budismo deu-se o mesmo. Juntamente com o cristianismo, o islamismo e o hinduísmo, o budismo faz parte do grupo das quatro maiores religiões do mundo em número de adeptos. Por isso há muitas ordens distintas dentro do budismo. O zen-budismo é uma ordem especificamente voltada à meditação, mas sem estímulos visuais ou auditivos.

No Brasil, existem várias ordens budistas de origem japonesa, que são reunidas pela Federação das Seitas Budistas do Brasil. A federação congrega as ordens budistas tradicionais com sede no Japão e instaladas no Brasil. Sua origem está ligada à imigração japonesa e seu reconhecimento oficial deu-se a partir do fim da Segunda Guerra Mundial. As sedes da América do Sul estão todas em São Paulo: Jôdo Shû (Terra Pura), Nishi Hongwanji (Verdadeira Terra Pura do Oeste), Higashi Hongwanji (Verdadeira Terra Pura do Leste), Nitiren Shu (ordem fundada pelo monge Nitiren, no Japão do século XII), Shingon Shû (Budismo Exotérico Shingon – Verdadeira Palavra, fundada pelo monge Kukai-Kobo Daishi, no século XII) e a Sôtô Zen Shû (o zen-budismo). Anualmente, todas as ordens se reúnem, no mês de abril, para o Hanamatsuri (Festival das Flores), que é a celebração do nascimento e aniversário de Buda.

A ordem zen-budista, especificamente, nasceu entre os séculos XIII e XIV. A escola zen-budista origina-se de um discípulo que estava sempre ao lado de Buda, Maka Kasho. Essa linhagem foi crescendo até chegar à China. Já havia bastante budismo na China, levado pelos muitos monges saídos da Índia. Era um momento propício para uma nova religião chegar ao país, porque as religiões reinantes – o confucionismo e o taoismo – estavam dominando de certa forma as lideranças políticas e econômicas. Esses líderes passam a procurar outra tradição espiritual, no sentido de se libertar da dependência que tinham da religião anterior. Então, chega o budismo, que é acolhido e muito bem aceito, e cresce na China.

Da Índia, partiu um monge chamado Bodhidharma Bodai Daruma (“Iluminado Darma” – século VI), com mais de 60 anos de idade, para disseminar na China os ensinamentos do zazen, da meditação zen-budista. E o zen-budismo celebra seu memorial no dia 5 de outubro. Ele se sentava em zazen, voltado para uma parede e em silêncio. Ele já era iluminado, já tivera uma experiência mística maravilhosa. Quando seu mestre lhe fazia perguntas, sabia responder com profundidade admirável,e, mesmo assim, ficou com seu professor por mais de sessenta anos. Na China, ficou nove anos sentado e voltado para uma parede no monte Shaolin. É considerado também o fundador das artes marciais, que ele teria trazido da Índia, além do chá, que é importante para meditar.

 

 

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A CHEGADA DO ZEN AO JAPÃO

 

Do Japão, partiu um jovem monge chamado Eihei Dogen, com 20 e poucos anos de idade. Ele havia começado a praticar por volta dos 13 anos, tornou-se monge e ficou no mosteiro até completar a maioridade. De espírito inquieto, estava sempre se questionando, levantando muitas dúvidas, lendo os textos sagrados e os questionando. E nós temos mesmo que argumentar, não apenas ler o texto sagrado e aceitá-lo. O que o texto quis dizer com isso? O que significa isso? O que estou aprendendo agora? Esse ensinamento que chega até mim, para que serve e como isso pode beneficiar o maior número de seres? E o jovem Dogen se questionava tanto que resolveu ir à China: “Será que na China existe alguém que pode me dar a Verdade? Eu procuro, procuro essa Verdade e não encontro”. Estava nos livros, nos ensinamentos, mas ele não conseguia pôr em prática na sua vida, não conseguia tornar realidade no seu dia a dia.

Na China, ele encontra um mestre extraordinário, torna-se seu discípulo, é acolhido na sala do mestre a qualquer momento e coloca para fora muitas perguntas. Uma delas é: “Se tudo o que existe é o sagrado, se tudo o que existe é a natureza de Buda, por que nós temos que praticar?”. Isso quer dizer que qualquer coisa que eu fizer é o sagrado se manifestando. O mestre instruiu-o a fazer zazen, a sentar em meditação: “Endireite sua postura e mantenha a postura correta. E a postura correta você deve manter em toda a sua vida, com cada pessoa que encontra. Mantenha os ombros para trás e para baixo, abra esse peito, esteja em correta postura, em alinhamento com o cosmos, e trate cada pessoa que você encontra com respeito e dignidade”.

Através do zazen, certo dia ele percebe que existe uma forma de abandonar corpo e mente. Ou seja, não fico preocupado com o meu corpo, se está confortável ou desconfortável; nem fico preocupado com a minha mente, se meus pensamentos são bonitos ou feios, se ela está confusa, se está aflita; apenas observo isso de um plano superior. Esse plano superior é chamado no budismo de o “vazio”, o grande vazio de onde surge o ser, de onde surgimos todos nós, de onde surge a vida. E esse ponto podemos acessar através da meditação.

De volta ao Japão, Dogen era bombardeado com perguntas como “O que você trouxe?”. “Eu vim de mãos vazias, não trouxe nada especial”, respondeu. “Mas o que você aprendeu?”, insistiam. “Que o nariz está na vertical e os olhos na horizontal.” Perceba a simplicidade! Você é capaz de dizer isso? Que o que você aprendeu na sua vida é que seus olhos estão na horizontal e o nariz na vertical? Ou seja, dizer apenas “sou o que sou, somos o que somos. A natureza, a vida é assim como ela é, simples, mas, ao mesmo tempo, complexa e belíssima, maravilhosa”.

Mestre Dogen viveu até os 54 anos, mas, apesar da morte precoce, criou mosteiros e deixou muitos discípulos. O primeiro mosteiro construído por ele ficava em um vale cercado de enormes montanhas, no meio da mata e de difícil acesso. Mas chegou a abrigar até oitocentos monges. Naquela época, eles ficavam lá até morrer, porque era muito difícil chegar, então quem ia para o mosteiro já tinha a noção de viver e morrer ali. Há túmulos lá, também havia uma sala para doentes e todo tratamento que se podia dispensar a eles. Quando Dogen adoeceu, saiu do mosteiro e rumou para Kyoto, uma cidade próxima, onde teve o seu “passamento”. O budismo não diz que seres iluminados morrem, mas que atravessam. Ele atravessou e seus sucessores vieram.

Seu neto, mestre Keizan Jokin, iniciou-se muito cedo na vida monástica. Sua mãe era muito devota da Compaixão Pura e lhe ensinou a devoção desde muito pequeno. Depois, tornou-se um grande abade, migrou para o convívio urbano e construiu templos por todo o Japão, difundindo o ensinamento. Por isso, mestre Dogen (séc. XIII) e Keizan (séc. XIV) são considerados os fundadores da ordem Sôtô Shû. Em japonês fala-se “Ryo So”. “Ryo” quer dizer “ambos, dois”, e “so” significa “fundadores”. E o dia de homenageá-los é 29 de setembro, no chamado memorial Ryoso-ki. Em 5 de outubro, ocorre o memorial Daruma-ki, em homenagem a Bodhidharma Bodai Daruma, considerado o fundador do zen na China no século VI. Mas nada melhor para homenageá-los do que manter vivas as suas práticas. Seus ensinamentos geraram ainda mais livros sobre o Darma de Buda. E ainda geram. Por isso, a “bíblia budista” é escrita todos os dias.

 

 

Fonte: Zen para Distraídos - Princípios para Viver o Presente com Harmonia, Monja Coen e Nilo Cruz, Academia

 

 

Conheça a história do mestre Dogen e a origem do zen japonês neste filme inspirador:

 

 


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