CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar
FILOSOFIA ORIENTAL
05.12.2017
CompraZen
Vishnu, a força dos avatares
COMPARTILHAR

 

Vishnu representa o princípio divino considerado sob seu aspecto preservador do mundo. Normalmente é apresentado como um homem azul-escuro, vestindo roupas amarelas e cavalgando uma águia semidivina (Garuda) que, em tempos passados, foi um asura (aspecto demoníaco) que tombou dominado pelo poder do deus preservador e foi transformado em sua montaria (vahana). Vishnu leva em suas quatro mãos: uma clava de combate (gada); uma concha (sankha); uma arma em forma de disco luminoso (chakra); uma flor de lótus (padme); e faz o gesto que desfaz o temor (abhaya mudra).

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-imagem-1.jpg

 

 

Em algumas outras apresentações, ele pode aparecer juntamente com sua esposa, a deusa Lakshmi, de pé, sentado ou deitado sobre a serpente Sesha (também chamada de Ananta, eternidade), que simboliza o resto, a sobra de energia que permanece sem emprego após a produção da matéria sólida e a conclusão da criação. Nos primeiros estágios da manifestação cósmica, Vishnu dorme flutuando sobre as águas primordiais (Mar de Leite), servindo-lhe de leito a serpente Shesha, que levanta, em forma de um altar, suas sete cabeças. Esse sono é o processo no qual as potencialidades desse deus vão madurando-se pouco a pouco para que, após a criação levada a cabo pelo deus Brahma, ele possa despertar e cumprir sua função preservadora no universo.

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-imagem-2.jpg

 

 

Em cada ciclo de vida universal, durante os períodos de crise quando as leis cósmicas (dharma) estão ameaçadas pela ignorância (avidya) e existência de seres demoníacos (asuras) extremamente poderosos, Vishnu manifesta uma parte de sua essência (avatar) para destruir as forças negativas e restabelecer a ordem. A tradição aponta que já se manifestaram sobre a Terra nove avatares e que um décimo estaria sendo esperado para essa Era em que vivemos (Kali Yuga).

Vishnu é infinitamente poderoso (omnipotente), está em todos os lugares (omnipresente) e tem profundo conhecimento de tudo (omnisciente). O Universo todo é uma revelação sua, de onde emanam todas as formas de vida e tudo que é material. Ele é tido como altamente caridoso e recompensa seus devotos, o que lhe dá grande popularidade, sendo aceito como o mais poderoso deus nesse mundo cada vez mais materialista.

 

O CONCEITO HINDU DOS CICLOS CÓSMICOS

 

Nesse conceito cíclico, o tempo (yuga) é dividido em quatro etapas, denominadas: Krita Yuga, a era de ouro; Treta Yuga, a era de prata, Dvapara Yuga, a era do bronze, e Kali Yuga, a era do ferro. Esses nomes também referem-se às designações dadas aos lances do jogo de dados na Índia antiga.

 

Krita Yuga: Quer dizer “idade cumprida”. No jogo de dados, refere-se ao lado vitorioso, o que tira o dado de quatro pontos. O número quatro simbolizaria a totalidade, a plenitude e a perfeição. Krita Yuga (às vezes também denominada de Satya Yuga) é a idade perfeita, a idade de ouro, época beatífica na qual reinam felicidade, fartura, justiça e tudo que se mereça de bom. Nessa era, não há descuido com os deveres e nem declínio da moral dos seres humanos. Não se tem que fazer esforço algum para obter os frutos da terra. Não existem enfermidades nem deterioração dos órgãos dos sentidos nem existe malícia, choro, orgulho, mentira nem tampouco disputas, medo, aflição, ciúme ou inveja. É a era em que Narayana, a alma de todos os seres, é de cor branca.

 

Treta Yuga: É conhecida como a tríade, por causa do dado de três pontos, marcando o início de um processo de regressão existencial. Nesse período, o dever já não é espontâneo, mas deve ser aprendido. A divisão em castas e os modos de comportamento começam a ser delineados. Em Treta Yuga, iniciam-se os sacrifícios e os homens começam a afastar-se da verdade intuitiva e se tornarem dependentes das cerimônias religiosas. Surgem as artes sagradas e uma variedade enorme de ritos. Todos passam a atuar com interesses específicos de recompensa e ganhos próprios. É a era em que Vishnu, o preservador dos mundo, tornou-se amarelo.

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-imagem-3.jpg

 

Dvapara Yuga: É a idade caracterizada pelo número dois no jogo de dados. Somente metade das leis universais (dharma) subsistem na Terra. Os vícios e a infelicidade aumentam proporcionalmente à diminuição do tempo de vida humana. Alguns estudam os quatro Vedas, outros, três, outros, dois e outros, nenhum dos Vedas. Ignora-se a existência de uma única escritura. A paixão é que rege as práticas de sacrifícios e doações daqueles que perseguem os gozos e a felicidade celestial. O homem mergulha cada vez mais na injustiça. Nessa era, Vishnu tornou-se vermelho.

 

Kali Yuga: É a idade da disputa e discórdia, é caracterizada pelo dado de número um, o lance vencido. Nesse tempo, o homem e a sociedade atingem o ponto extremo de degradação. Cessam todos os ritos e os sacrifícios e prevalecem diversas calamidades, enfermidades, fadiga, ira, miséria, ansiedade, fome, medo, etc. Vishnu tornou-se negro.

 

Essas idades denunciam um processo de degradação progressiva da qualidade de vida em todos os sentidos, até que se chegue a uma situação limite a qual leve a um caos generalizado. A partir desse ponto limite, inicia-se um movimento oposto na direção de transformar a escuridão em luz; a semente de Krita Yuga (idade de ouro) começa a desabrochar. Um novo ciclo cósmico, mais um período de quatro eras, começa a se formar. Esses ciclos continuariam até que se chegasse ao tempo da grande dissolução universal, no final da idade de Brahma (108 anos divinos), em que tudo voltaria ao princípio (ady prakriti). Após essa dissolução última, haveria um descanso da criação (sono cósmico) por um período de mais 108 anos de Brahma, seguido do recomeço da existência. Isso tudo, indefinidamente, num eterno samsara.

 

AVATAR - AS DEZ ENCARNAÇÕES DE VISHNU

 

Foi pela maldição de Shukra e Bhrigu que Vishnu foi condenado a nascer muitas vezes na Terra. Essa maldição coincide com os poderes de Vishnu de preservar e proteger seus devotos, a quem ele prometeu reencarnar sempre que o mal surgisse e os demônios tornassem a vida insustentável. Ele apareceu na Terra para restabelecer a ordem e a justiça. Popularmente, o mito das dez encarnações é muito bem aceito. Contudo, o mito varia nos diferentes Puranas, sendo que alguns falam em 22 ou mais. Deve-se destacar o fato de que Krishna, a oitava encarnação, é tida como o avatar perfeito e completo de Vishnu, enquanto as outras encarnações surgiram apenas para cumprir um propósito específico.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-1-matsya.jpg

 

Surgiu durante Satya Yuga (também conhecida como Krita Yuga), período de verdade e da pureza, para tirar os Vedas do oceano, permitindo que Brahma trabalhasse no processo cíclico de criação do Universo. Uma escola de pensamento o apresenta como uma encarnação para salvar Manu, o primeiro dos seres humanos na Terra, durante a grande inundação (pralaya) que destruiu todo o Universo anterior.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-2-kurma.jpg

 

Apareceu durante Satya Yuga para carregar sobre suas costas o mundo recém-criado e ajudá-lo a se estabilizar. Outro mito, não muito diferente, diz que quando os poderes dos deuses diminuíram em razão do feitiço de Durvasa, eles rogaram a Vishnu que os salvasse dos males e dos demônios e os ajudasse a alcançar a imortalidade. Vishnu aconselhou-os a unirem-se aos demônios para agitarem o oceano usando o Monte Mandara como eixo e a serpente Vasuki como cabo. Como a montanha era muito pesada, ela começou a afundar. Nesse momento, Vishnu apareceu na forma da gigantesca tartaruga Kurma e sustentou a montanha em suas costas, o que facilitou o processo da agitação do oceano – Samudra Manthan.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-3-varaha.jpg

 

Surgiu próximo do final de Satya Yuga para salvar o mundo da destruição causada pelo rei demônio Hiranyakasha, filho mais velho de Kashyapa. Com suas presas, ele resgatou a terra da profundeza das águas e, ao mesmo tempo, exterminou o demônio.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-4-narasimha.jpg

 

Surgiu no final de Satya Yuga para salvar seu devoto Prahlad, filho do cruel Hiranyakashipu, que foi abençoado por Brahma contra a morte. Narasimha matou o demônio, obedecendo todas as condições especiais com que o demônio fora abençoado, ou seja, “que não fosse morto nem por um homem nem por um animal” – então, Vishnu apareceu como meio-homem/meio-leão. Havia também outras condições que foram plenamente cumpridas.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-5-vamana.jpg

 

Apareceu durante o Satya Yuga como filho do sábio Kashyapa e sua mulher Aditi, para devolver aos deuses o paraíso que havia sido tirado por Bali, um rei demônio, neto de Prahlad. Outrora, Bali havia derrotado os deuses e tomado posse do paraíso. Os deuses pediram ajuda a Vishnu, que assumiu a forma de um anão e apareceu diante do rei Bali no momento em que ele oficiava um culto e atendia aos pedidos dos brâmanes (sacerdotes). Bali, então, dirigiu-se ao pequeno brâmane dizendo que podia pedir qualquer coisa que quisesse. Vamana então pediu que lhe fossem dadas todas as terras que ele pudesse medir em três passos. Bali concordou, mas para sua surpresa, no primeiro passo, Vamana cobriu os céus e, no segundo, a Terra. Em consideração à bondade de Bali, Vamana deixou Patala, o mundo inferior, para Bali.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-6-parashurama.jpg

 

Apareceu no término de Satya Yuga para represar a tirania dos poderosos Kshatriyas. Nasceu da união do eremita Jandagini com sua esposa, Renuka. A sexta e a sétima encarnações de Vishnu ocorreram simultaneamente. Parashurama confrontou Rama logo após ter quebrado o arco divino na corte do rei Janaka para desposar sua filha, Sita. Parashurama era uma pessoa violenta que facilmente partia para o combate, como o que travou contra Ganesha e Rama. Lakshmi, Dharini.

 

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-7-rama.jpg

 

Surgiu no final de Treta Yuga, a segunda era do mundo, para dar lições de justiça e exterminar Ravana, o demônio de dez cabeças, rei de Lanka. Ele também restringiu as ambições de Parashurama com relação aos kshatriyas. Lakshmi encarnou como Sita, sua esposa. Rama é também conhecido por outros nomes como Ragahava, Purushottam, etc. Seus objetivos são derrotar o demônio e demonstrar o valor dos sistemas da sociedade hindu – conforme escrito pelo sábio Valmiki no épico Ramayana.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-8-krishna.jpg

 

Surgiu em Dvapara Yuga. Esse avatar veio para matar os agentes do mal e, principalmente, para liderar os Pandavas contra seus primos Kauravas na guerra conhecida como Mahabharata. Lakshmi encarnou como sua esposa, Rukmini. Ele também é conhecido por outros nomes como Banke Behari, Gopala, Murari, Ghanshyan, etc. A história sobre Krishna, ou seja, o Mahabharata (incluindo o Bhagavad Gita), foi escrito pelo sábio Vyasa.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-9-buddha.jpg

 

Viveu entre 563-483 a.C. e fundou o Budismo, uma união de vários sistemas e ensinamentos antigos, relativamente não ortodoxos se comparados com as tradições védicas. Seus ensinamentos eram algo como os Upanishads transformados em ação. Contudo, esses ensinamentos focados na não violência causaram alguns danos, pois as pessoas tornaram-se dóceis demais, ficando suscetíveis aos ataques dos invasores. Convém lembrar que, enquanto todas as encarnações de Vishnu são místicas, essa nona encarnação como Buddha é baseada em registros históricos. Lakshmi também apareceu com ele, como monge. De acordo com uma escola diferente de pensamento, a encarnação de Vishnu não foi Buda, mas sim Balarama, o poderoso irmão de Krishna. Balarama teria sido a oitava encarnação e Krishna, a nona.

 

 

 

vishnu-a-forca-dos-avatares-10-kalki.jpg

 

Designado para vir ao mundo a qualquer momento futuro, no final de Kali Yuga, uma era que teve início por volta dos tempos do conflito do Mahabharata. Essa encarnação de Vishnu viria para restabelecer a pureza no mundo e novamente reiniciar o ciclo de yugas (eras) com Satya Yuga. Kalki deve surgir a cavalo, empunhando uma espada. Como essa encarnação ainda está por vir e não há mais detalhes claros a seu respeito, ela ainda não é cultuada.

 

 

Fontes: Mitologia Hindu, Aghorananda Saraswati, Madras / Deuses e Deusas Hindus, B.K. Chaturvebi & Suresh Narain Mathur, Madras

 

 

Ouça e medite com esta linda versão do poderoso mantra:

Om Namo Bhagavate Vasudevaya

 

 

* Om Namo Bhagavate Vasudevaya é traduzido por A. Bhaktivedanta Swami Prabhupada no Srimad Bhagavatam como: "Ó meu Senhor, a Personalidade da Divindade, tudo penetrante, eu ofereço minhas respeitosas reverências a você." O mantra é freqüentemente usado como uma invocação e cantar este mantra regularmente é considerado de grande benefício para toda a eternidade.


Voltar

ÚLTIMOS POSTS

23.06.2020
Usar a repetição como técnica de memorização pode parecer simples e óbvio ...
Leia mais
09.06.2020
Os koans são a ajuda mais intrigante e enigmática de todas para o estágio de insight na ...
Leia mais
26.05.2020
A verdadeira liberdade não tem nada a ver com o mundo exterior. A verdadeira liberdade não é ...
Leia mais
RECEBA NOSSA NEWSLETTER
CompraZen
Meditação, yoga e bem-estar

CompraZen, seu companheiro de jornada

Formas de pagamento

Formas de pagamento

Redes sociais

Facebook Instagram Youtube

Atendimento

(11) 4721-5028

(11) 93148-0456

Buda
2017 - Todos os direitos reservados - Compra Zen www.comprazen.com.br - CNPJ 15.294.311/0001-88
Rua Francisco Martins Feitosa, 119 - Mogi das Cruzes - SP - 08735-420 - Brasil
Preços, condições e promoções exclusivos para o site, podendo sofrer alterações sem prévia notificação.